A taxa de desemprego medida pelo IBGE em seis regiões metropolitanas de capitais brasileiras alcançou em fevereiro 7,42%, a maior desde junho de 1984, quando foi de 7,57%. Em São Paulo, a taxa atingiu 8,78%, a maior da história da pesquisa do IBGE, iniciada em 1982.
Na região metropolitana de Belo Horizonte, a taxa saltou de 3,83%, em fevereiro de 97, para 8,12%, em fevereiro deste ano. O número de pessoas procurando emprego na capital mineira e periferia passou de 64,26 mil para 141,12 mil em um ano, com um aumento de 119,58%. A taxa para as seis regiões metropolitanas - Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Porto Alegre - havia sido de 5,55% em fevereiro do ano passado e de 7,25% em janeiro deste ano.
Havia em fevereiro 1,28 milhão de pessoas procurando emprego nas seis regiões, contra 957,78 mil em fevereiro de 97 e 1,27 milhão em janeiro deste ano.
Segundo Shyrlene Ramos de Souza, da equipe de análise de conjuntura do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, parte do aumento do desemprego nos primeiros dois meses deste ano deve ser creditada a um movimento normal de liberação de pessoal pelo comércio e serviços nessa época.
A diferença é que este ano houve um salto de patamar, com as taxas alcançando números que não eram atingidos desde 1984. Isso, segundo a governo em novembro do ano passado.
Shyrlene Souza previu que, por conta da tendência histórica, março deverá ter uma taxa de desemprego maior que fevereiro. Nos últimos cinco anos, a taxa foi crescente ao longo do primeiro trimestre.
Ela disse também que o crescimento incomum da taxa de desemprego em Belo Horizonte de um ano para o outro ocorreu porque, como o parque industrial daquela cidade é mais novo que o de São Paulo, por exemplo, só agora a reestruturação teria chegado com mais força à capital mineira. A técnica do IBGE disse ainda que as pessoas não devem ficar iludidas com o pequeno crescimento da taxa de janeiro para fevereiro deste ano (apenas 0,17 ponto percentual).
A fórmula de cálculo do IBGE não considera entre os desempregados as pessoas que desistiram de procurar emprego na época em que a pesquisa é feita. Essa população tomada pelo ‘‘desânimo’’, segundo a técnica, cresceu 3,21% do primeiro para o segundo mês deste ano e 4,47% em relação a fevereiro de 97.
O caso de Recife ilustra melhor como a taxa de desemprego pura e simples não permite uma leitura adequada do problema. A taxa da capital pernambucana caiu drasticamente de janeiro para fevereiro (de 8,12% para 5,65%) e foi também menor que a de fevereiro de 97 (6,01%). Mas, de janeiro para fevereiro, a população ocupada em Recife caiu 3,86%, e a população em idade ativa que está fora do mercado cresceu 7,46%.
Os números do desemprego divulgados ontem pelo IBGE mostram também que, por setor de atividade, a indústria de transformação ficou em fevereiro com 9,17%, sua maior taxa histórica. A construção civil ficou com 8,10%; o comércio, com 8,02%; e os serviços, com 5,87%.

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