Desemprego sobe para 7,4% no País
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quinta-feira, 09 de abril de 2015
Andréa Bertoldi <br> Reportagem Local 
A taxa média de desemprego no País no trimestre encerrado em fevereiro ficou em 7,4% e acima do índice de 6,8% registrado no período de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014. No trimestre encerrado em novembro de 2014, a taxa de desemprego tinha ficado em 6,5%. No trimestre que terminou em fevereiro havia 7,4 milhões de pessoas desocupadas. Esta estimativa era de 6,5 milhões entre setembro e novembro de 2014, o que representou uma alta de 950 mil pessoas ou 14,7%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre dezembro e fevereiro, o número de empregados era de 92,3 milhões, com redução de 0,4% em relação ao período de três meses terminados em novembro. Foram cortadas 401 mil vagas no País em relação ao trimestre fechado em novembro.
Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, o aumento da taxa de desemprego mostra uma desaceleração bastante rápida no mercado de trabalho. "O resultado é preocupante", afirmou. Entre os motivos que ajudaram a intensificar a taxa de desemprego, segundo ele, estão o aumento da taxa de juros e o maior número de pessoas que fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA) que passaram a procurar emprego. Ele lembrou que antes os jovens estavam saindo do mercado de trabalho para estudar em função da renda do chefe de família. Agora, com o aumento do desemprego, muitos jovens estão precisando voltar ao mercado. "A PEA está crescendo porque as pessoas têm que buscar alternativas de renda em contexto de crise", destacou.
Para Suzuki, o baixo crescimento da economia este ano deve comprometer boa parte de 2016. Com a inflação em alta, o Banco Central também deverá aumentar juros. Isso tudo vai trazer desaquecimento da economia e redução do emprego. "O ajuste fiscal do governo federal ficou deste tamanho porque demoraram para implantar em função de questões eleitorais", disse. A previsão dele é que o desemprego aumente ainda mais.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano da Silva, o aumento do desemprego tem sido provocado pela desaceleração no mercado de trabalho. "É difícil fazer uma previsão para o desemprego. Vai depender da conjuntura econômica e do ritmo de geração de postos de trabalho", disse.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse, também concorda que o aumento do desemprego é reflexo do "quadro sistêmico de redução da atividade econômica". Segundo ele, o ajuste fiscal do governo que leva a aumento de impostos também contribuiu para agravar a situação. E a retração do consumo faz a demanda das empresas ser menor, o que gera demissões. A previsão dele também é de aumento do desemprego.
O rendimento médio ficou em R$ 1.817 nos três meses terminados em fevereiro, com alta de 1,3% em relação ao período encerrado em novembro. Na comparação com o período terminado em fevereiro de 2014, houve alta de 1,9%. De acordo com o IBGE, isso pode ser explicado pela saída de empregados temporários com salários menores que os efetivos e pela dispensa de trabalhadores com baixo rendimento.


