A taxa de desemprego começou a refletir pela primeira vez os efeitos negativos da crise de energia combinada à alta do dólar, elevação dos juros e desaceleração mundial da economia. Em agosto, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo foi de 17,7%, o que representa um aumento de 2,3% em relação a julho, quando o índice foi de 17,3%.
Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Seade/Dieese mostra que a taxa de desemprego de agosto é a maior dos últimos quatro meses. O desemprego passou de 17,5%, em junho, para 17,3%, em julho. Mas os técnicos da Fundação Seade/Dieese já haviam avisado que não existia motivo para comemorar a queda. Segundo eles, a retração no desemprego de julho ocorreu basicamente porque mais trabalhadores deixaram de procurar emprego, e não por causa do surgimento de novos postos de trabalho.
A Fundação Seade/Dieese estimou em 1,637 milhão de pessoas o número de desempregados em agosto na região, o que corresponde ao acréscimo de 49 mil pessoas no contingente de desempregados decorrente da entrada de 68 mil pessoas na força de trabalho, não compensada pela geração de novos postos de trabalho, já que foram criadas apenas 19 mil ocupações em agosto.
Em julho, o salário médio dos trabalhadores caiu 2% passando a equivaler a R$ 886. O impacto dos atentados terroristas ocorridos nos Estados Unidos sobre o comércio exterior e a economia internacional deve agravar ainda mais o quadro de desemprego no Brasil. Essa é a avaliação dos técnicos da Fundação Seade e Dieese.
''O cenário de emprego já estava bastante desfavorável com a conjunção da crise de energia, alta do dólar, dos juros e desaceleração da economia mundial. Os efeitos dos atentados acabaram piorando ainda mais a situação'', disse o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
Em agosto, pela primeira vez no ano, a taxa de desemprego na região refletiu os efeitos negativos da economia. A elevação de 2,3% na taxa de desemprego de agosto é ''atípica'' para o mês. ''Com exceção de 1997, a taxa de desemprego de agosto sempre caiu ou ficou igual ao mês anterior'', disse Mendonça.
Outro comportamento fora do comum para agosto foi a estabilidade da taxa de 17,7% em relação ao mesmo mês de 2000. Segundo o Seade/Dieese, faz um ano e meio que as taxas de desemprego ficam inferiores aos índices do ano anterior.
''Em agosto, pela primeira vez nesse período, a taxa de agosto de 2001 empatou com o desemprego de 2000'', afirmou Mendonça.

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