Desemprego se expande, indica pesquisa
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O desemprego e a queda de rendimentos já não poupam mais ninguém, de analfabetos a profissionais com alto nível de escolaridade, de novatos a experientes, sejam homens ou mulheres, de todas as idades. A pesquisa do convênio Dieese-Seade divulgada ontem trouxe um retrato de 1998, ano marcado por 12 recordes sucessivos de desocupação e o pior da história do mercado de trabalho, com redução de 101 mil postos na Grande São Paulo e queda de rendimentos de 3,2%.
Além da diminuição do número de postos, aumentou o contingente de pessoas em busca de trabalho, como resultado da entrada dos jovens ao mercado. Esse desequilíbrio resultou em um aumento de 219 mil desempregados na região, na comparação com 1997. Em dezembro, havia 1,523 milhão pessoas nessa situação. É a partir desse nível que o maior centro econômico do País vai enfrentar a recessão esperada para este ano, o que torna piores as perspectivas sobre emprego e renda a partir de agora, segundo o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
O desemprego vem crescendo em todos os níveis de escolaridade, com destaque para os sem instrução (aumento de 26,6%), mas também para os com segundo grau completo (21%), com segundo grau incompleto (19%) e principalmente com terceiro grau incompleto (35,1%).
O tempo médio de procura por trabalho em 1998 cresceu acentuadamente em relação a 1997, mas não apenas para os inexperientes (de 21 semanas para 29 semanas). Na média de 1998, os experientes passaram a procurar emprego por 37 semanas, oito a mais do que no ano anterior. Para pessoas com mais de 40 anos, o tempo de procura por uma ocupação saltou de 41 semanas para 53. Chefes de domicílio procuraram colocação por 42 semanas, nove a mais do que no período anterior.
Em matéria de renda, quase a totalidade dos dos trabalhadores ficou mais pobre, tivessem eles relações tradicionais de emprego ou não, funções especializadas ou precárias. Os índices já estão deflacionados, ou seja, trata-se de perda real.
Assalariados com carteira assinada do setor privado tiveram redução de 3% nos seus ganhos no ano passado. Assalariados como um todo perderam 1,3%. Autônomos acumulam prejuízo de 5,8% e trabalhadores com outras formas de inserção no mercado perderam 6,9%. Com a volta da inflação, ainda que menor do que dois dígitos, e crescimento negativo do PIB, as perdas devem ficar maiores este ano, afirmou o economista.
Se o critério for o nível de escolaridade, também houve prejuízos para quase todos em 1998, especialmente os mais qualificados. Os analfabetos e os com primeiro grau incompleto tiveram redução média de ganhos de 4%. Os que têm primeiro grau completo, redução de 6%. Os com segundo grau completo, 7%. Os que têm terceiro grau incompleto, 5%. Os que concluíram faculdade tiveram na média uma renda estável.
O fato de os que têm menor escolaridade perderem menos do que os especializados não significa melhor distribuição de renda, lembrou Mendonça. Os mais de 1,5 milhão de desempregados no ano eliminam totalmente essa possibilidade - perto de um em cada quatro trabalhadores tem renda zero, já que a taxa de desemprego em 1998 atingiu 18,3% da População Economicamente Ativa, com pico de 19% em junho.


