Desemprego repete índice recorde em SP
Agência Estado
Arquivo FolhaDesequilíbrioCrescimento das contratações em setores como a construção civil não foram suficientes para compensar quedas na indústria e setor de serviçosO nível de desemprego de 16,6% na Grande São Paulo, em dezembro, repetiu o índice recorde do mês anterior, mas foi 17% maior do que o de dezembro de 1996, quando atingia 14,2% da região. O número de desempregados caiu ligeiramente em dezembro - apenas cinco mil pessoas, de 1,436 milhão para 1,431 milhão -, porque o contingente de pessoas à procura de emprego baixou de 61,8% para 61,5% da população economicamente ativa.
Em janeiro, a tendência é de alta e de novo recorde no índice de emprego. Este ano o aumento não deve ser tão grande porque o desemprego já estava muito alto em dezembro, avalia o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. Tradicionalmente o desemprego cai em dezembro por causa das contratações no comércio e no setor de serviços para o Natal, mas isso não aconteceu no mês passado. Não tem muito espaço para piorar porque já foi muito ruim em dezembro, diz o economista. A taxa atual é recorde nos 12 anos da pesquisa, realizada mensalmente pela Fundação Seade e Dieese nos 38 municípios da Grande São Paulo.
O nível de emprego caiu 0,4% em dezembro, com a eliminação de 27 mil postos de trabalho. Aumentou o número de pessoas ocupadas no comércio (10 mil novos postos de trabalho) e nos segmentos classificados como outros, que incluem serviços domésticos e construção civil (outros 10 mil empregos). Mas esse crescimento não foi suficiente para compensar a queda na ocupação na indústria (5 mil postos cortados) e no setor de serviços (42 mil empregos a menos).
Apesar da manutenção da taxa na média da Grande São Paulo, o índice de emprego caiu 1,3% na capital e aumentou 1,1% nos demais municípios da região em dezembro. Caiu também o nível de desemprego aberto, de 10,5% em novembro para 10,2% no mês passado. A redução foi compensada pelo aumento do desemprego oculto, de 6,1% em novembro para 6,4%. O desemprego oculto inclui pessoas que realizaram trabalhos precários ou desistiram de procurar emprego no período da pesquisa. O tempo médio de procura do trabalho passou de 26 semanas em dezembro de 1996 para 32 semanas (sete meses e meio) no mês passado.
Em todo o ano passado foram perdidos 114 mil postos de trabalho, apesar da criação de 103 mil vagas no setor de serviços. Esses novos empregos não foram suficientes para compensar o corte de 217 mil vagas nos outros setores, com o fechamento de 162 mil vagas na indústria (10% do total), 20 mil postos no comércio e 35 mil nos outros segmentos. Já é o segundo ano que o setor de serviços não consegue absorver o corte na indústria, desta vez com saldo de desempregados bem maior, diz Martoni Branco.
A queda mais significativa ocorreu justamente entre os trabalhadores com carteira assinada. Entre as vagas fechadas na indústria, 91 mil eram com contrato em carteira. A expansão no setor de serviços, ao contrário, se deu em empregos sem vínculo formal, como assalariados sem carteira e autônomos.





