Desemprego pode se agravar no 1º trimestre
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Agência Brasil 
Brasília - A perspectiva de crescimento do desemprego na indústria, apontada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode se agravar ainda mais no primeiro trimestre do ano. A avaliação é do economista Rogério Cezar de Souzado, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
Ele explicou que quando há redução na produção, consequentemente o emprego fica prejudicado. No entanto, as demissões ocorrem em espaço de tempo posterior à queda da produtividade.
O fato é que entre o que a empresa produz e o emprego há uma diferença. A evolução desses dois agregados econômicos tem um comportamento diferenciado, afirmou. Segundo Souza, acumulando outubro e novembro a produção industrial já caiu cerca de 8%, enquanto o emprego registrou retração de 0,6%.
O que chama atenção para os próximos meses, contanto com essa idéia de defasagem (em relação ao percentual de queda da produção industrial e o ritmo de desemprego), é que a industria ainda está se ajustando em dezembro e janeiro em relação à produção. Com o emprego não será diferente, argumentou. Em dezembro, o emprego ainda pode apresentar um comportamento estável ou uma queda, mas o primeiro trimestre do ano não será bom para o emprego, acentuou.
Para o economista, a industria brasileira acusou de modo muito rápido o agravamento da crise de meados de setembro. Em outubro, afirmou, a produção industrial caiu em torno de 2,7%, em relação a setembro, e no mês de novembro, segundo último dado oficial do IBGE, houve queda da produção industrial de 5,2%.
Em novembro, a magnitude foi maior, o tombo foi muito grande e se tornou preocupante e comprometeu o desempenho que tínhamos em 2008, destacou. Souza avalia que o quadro de crescimento do desemprego tende a se agravar também porque os segmentos que estavam puxando a produção industrial e o emprego já caíram.
Quem são esses segmentos? São os de bens duráveis, de capital, máquinas e equipamentos, meios de transporte, todos eles caíram, exemplificou Souza, acrescentando que a redução ocorreu devido à redução de crédito e queda nas venda e a consequente elevação dos estoques. Os empregos nesses setores já haviam desacelerado bastante, mas se mantinham positivos.


