Marie Hippenmeyer/France Presse‘Parada técnica’
No centro de São Paulo, onde desemprego atinge 18,9% da população economicamente ativa, catador de papel faz uma pausa no trabalho informal, único disponível em um mercado cada vez mais retraído A alta dos juros deve começar a provocar demissões dentro de um mês. A previsão é tanto de patrões como de empregados. ‘‘Esse é o prazo que as indústrias podem suportar, caso as taxas se mantenham elevadas’’, diz o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, representante dos trabalhadores. A mesma avaliação é feita por Nélson Ferreira, presidente interino do Sindipeças, entidade que reúne as indústrias de autopeças.
Mas patrões e empregados demonstram disposição para negociar todas as possibilidades para tentar evitar dispensas. ‘‘Vamos propor redução da jornada de trabalho, uso do banco de horas , contrato de tempo parcial e de trabalho temporário, férias coletivas e outros mecanismos’’, afirma.
Ferreira, do Sindipeças, diz que essa também é a disposição dos patrões. ‘‘Nossos empregados são especializados; se tivermos de fazer dispensa, vamos cortar a carne.’’ Mas alerta: ‘‘Caso as alternativas propostas não dêem certo, vamos demitir.’’
O vice-presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Roberto Liboni, é mais otimista. Segundo ele, historicamente, sempre que há alta dos juros, após três meses, as empresas voltam a contratar. Ele acredita que esse fenômeno possa repetir-se.
No seguro-desemprego, por enquanto, não houve nenhuma alteração. Mas já se cogita a possibilidade do pagamento de até duas parcelas adicionais do benefício, como prevê a legislação, nesse cenário de crise de empregos. Atualmente já está em vigor o pagamento de parcela extra para desempregados de regiões metropolitanas do País e para regiões atingidas pela seca.

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