Rio de Janeiro - O mercado de trabalho ''estacionou'' em agosto e mostrou nova queda no rendimento dos trabalhadores, com aumento da taxa de desemprego para 11,4%, ante 11,2% em julho. O resultado interrompeu o processo de queda da taxa iniciado em maio nas seis principais regiões metropolitanas do País, mas foi considerado como ''estabilidade'' pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mensal de emprego mostrou também que a informalidade continua crescendo com força, aumentando a precariedade do mercado e puxando os salários para baixo.
''Os dados trazem um misto de surpresa e frustração. Há algum tempo estamos esperando que os reflexos do crescimento econômico cheguem ao mercado de trabalho'', disse o economista Lauro Ramos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para ele, os dados de agosto mostram que, ao contrário do que parecia em julho, o mercado está melhor do que no ano passado.
O rendimento médio real (descontada a inflação) caiu 0,9% em agosto, ante agosto do ano passado, após um aumento de 2% nessa base de comparação no mês anterior, comemorada pelo governo e pelos economistas como uma aceleração da recuperação da renda. Houve redução também de 1,4% ante julho.
O gerente da pesquisa, Cimar Azeredo Pereira, considerou que o dado mais desfavorável do mercado de trabalho em agosto foi a queda no rendimento, que para ele ocorreu especialmente por causa da entrada no mercado de trabalho de mais trabalhadores informais nas seis regiões pesquisadas, puxando para baixo os salários.
O número dos trabalhadores sem carteira cresceu 5% ante agosto do ano passado e o dos por conta própria (inclusive camelôs) aumentou 4,2% no período. Pereira explicou que o número de contratações cresceu mais em segmentos que praticam menores salários, como empregados domésticos e construção civil, o que também pode ter puxado a média do rendimento para baixo. Há ainda ''uma influência, mas pequena'' da alta da inflação sobre a renda, já que o dado real é deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses na média das seis regiões, que em julho totalizava 6% e em agosto subiu para 6,3%.
O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse ontem que o aumento na taxa de desemprego no mês de agosto pode ser atribuído às boas notícias sobre a economia, o que levou mais gente a buscar oportunidade no mercado de trabalho. A tendência, diz ele, é de um crescimento mais forte da população economicamente ativa este mês.

mockup