Imagem ilustrativa da imagem Desemprego, o maior de todos os medos
| Foto: Anderson Coelho
O metalúrgico Ademir Alves está sem ocupação fixa há cinco meses: nível de exigência é um entrave, diz ele
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Segundo o IBGE, são 11 milhões de pessoas sem emprego no País



O Índice de Medo do Desemprego (IMD), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde 1999, bateu os 108,5 pontos no segundo trimestre do ano, o maior valor desde sua criação. O receio de perder emprego nos dias de hoje é maior ainda do que no período de desvalorização do real, em maio de 1999, quando chegou a 107,3.
O IMD divulgado ontem teve alta de 1,87% em relação ao primeiro trimestre de 2016 – o terceiro maior da série histórica – e de 4,2% em relação a junho do ano passado. A economista da CNI Maria Carolina Marques afirma que o maior medo da perda de emprego aponta para mais dificuldades na recuperação da economia. "O índice é importante porque antecipa o comportamento de consumo. Uma pessoa com medo de perder o emprego procura guardar dinheiro para se sustentar em caso de demissão e adiar as compras. Isso deprime a demanda e acaba prolongando a crise econômica", afirma.
O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcelo Curado afirma que esse receio do trabalhador tem fundamento. Para ele, a economia pode ter chegado "no fundo do poço", em termos de produtividade, mas o desemprego tende a aumentar. "De fato, mesmo com a atividade econômica estabilizando, o desemprego vai aumentar, porque reage mais lentamente à economia", explica.
Diante deste cenário, as famílias tendem a adotar mais cautela e rever seus planos de consumo, o que afeta toda a economia, mas de forma mais forte os setores que dependem de prazos mais longos e que trabalham com bens supérfluos, cuja aquisição pode ser postergada, como a indústria automobilística.
Isso ocorre, explica Curado, porque o consumo depende não apenas da renda do trabalhador neste momento, mas também a futura. Se há um risco de perda de emprego, a tendência é de postura mais cautelosa, com aumento de poupança e redução de gastos. "O fato de termos essa piora de expectativa em relação ao mercado de trabalho, que, de fato, está correta, afeta todas as atividades", explica o professor.
O desemprego voltou a registrar alta no trimestre fechado em maio e o índice fechou em 11,2%, com 11,4 milhões de desempregados, a maior da série histórica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Recolocação
No pátio de espera do Sine (Sistema Nacional de Empregos), o estoquista Luiz Fernando Santos Soares procura nova vaga de trabalho, após ser demitido na última sexta-feira depois de três dias trabalhando em um comércio na semana passada. Foi demitido do emprego anterior em janeiro e, até o mês passado, o seguro-desemprego auxiliava nos gastos domésticos.
Em casa, onde mora com a mãe e irmãos mais novos, a preocupação é com todos os gastos, principalmente com a alimentação, que tem aumentado consideravelmente. Neste ponto, diz, a mãe faz os malabarismos: trocou o feijão carioca pelo preto, mais barato, e substitui carnes, também. "Mas preciso do dinheiro para ajudar em casa", afirma.
O metalúrgico Ademir Lucato Alves está sem emprego fixo há cinco meses. Sem trabalho de manutenção de equipamentos agrícolas, sua área de atuação, tem procurado trabalho em outros setores, mas sente a dificuldade para recolocação devido à falta de experiência. "Tudo exige seis meses comprovados em carteira de trabalho, até auxiliar ou servente de pedreiro. Com a crise, aumentaram as exigências em relação ao trabalhador", lamenta, antes de ir embora sem se recrutar para nenhuma vaga.

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