Apesar de crescer em menor intensidade, os indicadores do mercado de trabalho brasileiro voltaram a crescer em 2011 quando comparados a 2009, ano marcado pelo início da crise econômica que afetou todo o mundo. Foi o que constatou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em seu boletim divulgado ontem, que analisa a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No levantamento, foram constatados principalmente o aumento da população ocupada, a queda na taxa de desemprego e a elevação do rendimento médio.
No Brasil - quando analisados os números entre 2001 e 2011 - encontra-se uma queda na taxa de desocupação de 10% para 7,3% na década. A região Sul, como acontece há muitos anos, continua com os melhores índices, com a diminuição no desemprego de 7,3% para 4,7% no período, queda de 35,61%. No estudo, fica constatado que ''os efeitos negativos da crise não foram tão significativos sobre o mercado de trabalho brasileiro, com o País capaz de reverter esses efeitos até 2011, o que não ocorreu na maioria dos países''.
Já a taxa de ocupação, tanto na média nacional como em todas as regiões da Federação, permaneceu estável, com ligeira redução entre 2009 e 2011. No Brasil, o percentual caiu de 54,1% para 53,3%, e na região Sul de 58,6% para 58,3%. Segundo o levantamento, ''essas quedas na taxa de ocupação não querem dizer que o nível de ocupação não aumentou, mas sim que o crescimento total de ocupados foi inferior à população em idade ativa (PIA)''.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) do Paraná Sandro Silva explica que com a economia mais aquecida existe uma pressão menor para os jovens ingressarem no mercado de trabalho. ''Quando o cenário econômico está ruim, a pressão para os jovens e as mulherem trabalharem é maior. Mas no momento, as pessoas que estão fora do mercado têm maior tempo para se qualificar e buscar cargos mais elevados.''
De maneira geral, o economista do Dieese elenca diversos pontos que favoreceram o mercado de trabalho brasileiro na última década. Silva ressalta que a partir de 2003 o mercado interno voltou a ser valorizado, com mais contratações de servidores públicos e ampliação das políticas sociais.
A liberação de crédito também aumentou substancialmente. Em 2001, o crédito representava 25% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto no ano passado saltou para 49% do PIB. ''Foi criada também uma política mais agressiva para combater os juros altos. A taxa básica de juros (Selic) em 1999, por exemplo, ficava na casa de 25% (atualmente é de 7,25%). Tudo isso incentivou os que têm recurso a produzir cada vez mais.''

Imagem ilustrativa da imagem Desemprego no Sul cai 35,6% na última década
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