Desemprego no semestre bate em 7,3%. Já a renda cai 6,4%
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro - O mercado de trabalho mostra um quadro de deterioração no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego média aumentou em relação ao mesmo período do ano passado (7,3% no primeiro semestre de 2002 contra 6,3% nos primeiros seis meses de 2001), a renda real do trabalhador caiu 4,6%, a procura por trabalho pelos desempregados cresceu 20,2%, a informalidade aumentou e o emprego sem carteira de trabalho assinada cresceu 3,9% no período.
Para o IBGE, entretanto, o mercado de trabalho deve ser visto pela taxa de ocupação (número de pessoas trabalhando), que cresceu 1,5% no primeiro semestre de 2002. ''Não posso dizer que o mercado de trabalho piorou porque vejo o mercado de trabalho pelo lado da ocupação, que voltou a crescer a partir de janeiro. O mercado de trabalho não absorveu a oferta de mão-de-obra. Certamente, não posso deixar de reconhecer que os setores que geraram emprego foram os informais e, por isso, o emprego sem carteira assinada sobe'', afirmou a responsável pela pesquisa do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza.
Os setores que abriram vagas no período foram comércio e serviços, que além de pagarem menos, têm mais informalidade. O comércio aumentou em 1,9% o seu número de empregados e os serviços, em 2,6%. Já a indústria de transformação sofreu uma redução de 0,7% no total empregados na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Na construção civil, a queda do emprego chegou a 7,4%.
A renda em queda há 17 meses também é um reflexo do quadro do mercado de trabalho. No semestre, a renda fechou com redução de 4,6%. A técnica do IBGE afirma que a taxa alta de desemprego atual, com o excesso de oferta de mão-de-obra, diminui o poder de barganha dos empregados em reajustar os salários e também favorece a troca de empregados com salários mais baixos.
Números de junho - O desemprego em junho atingiu 7,5% da população economicamente ativa na média das seis regiões pesquisadas pelo IBGE. Em maio passado, a taxa de desemprego havia ficado em 7,7%, maior percentual desde maio de 2000.
O índice de junho deveu-se principalmente a um maior número de pessoas procurando trabalho, segundo o IBGE. Na comparação com junho do ano passado, houve um crescimento de 22,1% no número de pessoas desempregadas procurando trabalho.
Entre as regiões, a busca por trabalho foi mais intensa no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde o contingente de pessoas em busca de emprego cresceu 39,5% e 35,9%, respectivamente.
Já o número de pessoas trabalhando aumentou 1,3% na comparação com junho do ano passado. Entre os setores da economia, o crescimento da ocupação continua sendo puxado pelos serviços (2,5%) e comércio (2,2%). Já a indústria de transformação apresentou uma alta de apenas 0,6%.
O crescimento na ocupação se deu mais fortemente pelo emprego sem carteira assinada, que cresceu 2,9%. Já os empregados com carteira assinada aumentaram 1,6%. O número de empregadores caiu 5,2%, e os trabalhadores por conta própria ficaram estáveis.


