Arquivo FolhaEfeito ÁsiaCordeiro, do Dieese: queda da oferta de vagas deve-se à alta do juro O Dia do Trabalho, comemorado ontem em todo o mundo, serviu em Curitiba para que várias entidades sindicais protestassem contra o desemprego. A taxa de desemprego em várias capitais brasileiras atinge o índice médio de 8%, segundo levantamento mensal feito pelo IBGE. Os dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) mostram um desemprego mais acentuado, na média de 16%. O último balanço feito na Região Metropolitana de Curitiba, em agosto, apontou que 14,7% da população economicamente ativa estava desempregada, o que representava 155 mil desempregados.
Somente nos últimos meses, o Paraná perdeu 37,1 mil postos de trabalho no mercado formal (trabalhadores com carteira assinada). A maioria dos cortes foi na indústria, que desde agosto tem números negativos de geração de emprego. A eliminação do emprego foi mais acentuada no interior do Paraná, enquanto na Região Metropolitana de Curitiba houve elevação nos postos formais de trabalho.
A pesquisa foi feita pelo Dieese com base nas informações enviadas pelas empresas ao Ministério do Trabalho no período de outubro a fevereiro. Cid Cordeiro, economista do Dieese, atribuiu a eliminação do emprego formal à alta dos juros desde outubro do ano passado, quando os países asiáticos entraram em crise e o governo brasileiro reagiu com a elevação das taxas.
O mercado formal de trabalho no Paraná emprega 1,3 milhão trabalhadores e a queda no nível de emprego vem ocorrendo desde outubro. ‘‘Em fevereiro, o Dieese detectou a criação de 2 mil novos postos de trabalho na Região Metropolitana, o que reduz o quadro de empregos eliminados para 35,1 mil postos, mas ainda temos um quadro negativo’’, avalia Cordeiro.
O desemprego é crescente em vários setores. Mas, no caso de algumas categorias, o fechamento de postos de trabalho é mais significativo. A função dos bancários, por exemplo, caminha para a extinção. Durante os quase quatro anos do Plano Real, 15% das demissões que ocorreram no País foram de trabalhadores desta atividade. Há 10 anos, o País tinha 900 mil bancários. Hoje esse número resume-se a 480 mil.
‘‘Não temos a expectativa de voltar a ser o que éramos, mas queremos uma acomodação das demissões’’, afirmou, ontem, o presidente do Sindicato dos Bancários, Pedro Eugênio Leite. No Paraná, foram fechados 8 mil postos de trabalho desde o início do Plano Real, sendo que em todo o País foram 160 mil vagas a menos.
Como alternativa de geração de empregos, o Sindicato dos Bancários propõe o aumento do horário de atendimento ao público. Os bancários reivindicam um expediente bancário dilatado em duas horas.
Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) defende a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais como solução para aumentar o nível de emprego. ‘‘Em vários países a jornada já é de 35 horas semanais’’, comparou o presidente da CUT, Roberto van der Osten. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também apóia a redução da carga horária de trabalho, mas com redução de salário.

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