Desemprego no País sobe para 12,8%
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O desemprego nas seis principais regiões metropolitanas subiu para 12,8% em março, a maior taxa desde outubro. Em São Paulo, região mais industrializada do País, a taxa já alcança 14,6%. O resultado nacional foi pior que o de fevereiro (12%) e o de março de 2003 (12,1%). O número de desocupados nos locais pesquisados chegou a 2,7 milhões, numa situação considerada ''preocupante'' pelo gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo Pereira. Ele atribui o crescimento do desemprego à frustração das expectativas dos empresários de uma queda mais veloz dos juros.
O rendimento dos trabalhadores, apesar da queda de 2,4% ante março do ano passado, prosseguiu na trajetória de lenta recuperação, com desaceleração das reduções ante o ano anterior e crescimento de 1,4% ante fevereiro. Sobre o desemprego, Pereira observou que ''havia, no início do ano, a expectativa de queda maior dos juros. Com os juros muito elevados, não houve abertura de novas vagas em número suficiente para absorver a demanda''.
Ele avaliou que os dados do mercado de trabalho em março mostram que a situação ''está muito longe de ser favorável'' e que ''era de se esperar que houvesse um crescimento da desocupação, mas não dessa ordem''. Pereira explicou que há um aumento sazonal do desemprego em março, mas o crescimento surpreendeu pela intensidade e pela velocidade. Segundo ele, é histórico o aumento da taxa de desemprego no primeiro semestre do ano, mas preocupa o fato de que a taxa tenha chegado a 12,8% já em março, nível só alcançado, nos seis primeiros meses do ano passado, em maio.
A abertura de vagas no mercado de trabalho em março não foi suficiente para absorver o significativo aumento da procura por emprego. O total de 2,7 milhões de desempregados nas seis regiões representou 203 mil pessoas a mais do que em fevereiro, com crescimento de 8,1% de um mês para o outro. A ocupação no período, ao contrário, teve a criação de apenas 81 mil vagas. ou aumento de 0,4%, variação considerada estagnação pelo IBGE.
Outro dado negativo de março revela que os trabalhadores que estão conseguindo emprego chegam ao mercado de trabalho pelo caminho da informalidade. Enquanto o aumento do número de ocupados com carteira assinada é praticamente irrisório (0,2% ante março de 2003 e também ante fevereiro) e considerado como ''estabilidade'', cresceu o porcentual de empregados sem carteira assinada e também os que trabalham por conta própria. O crescimento dos trabalhadores por conta própria (camelôs ou autônomos que trabalham sem contratação de nenhum empregado) alcançou 10,1% em março ante igual mês do ano passado e 1,3% ante fevereiro. O número de empregados sem carteira assinada cresceu 0,7% em março ante mesmo mês de 2003, mas caiu 0,5% ante fevereiro. ''Os dados mostram que os trabalhadores continuam entrando no mercado de trabalho pela informalidade'', disse Pereira.


