Desemprego no campo e destilarias
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domingo, 06 de setembro de 1998
Vânia Casado 
ArquivoResistênciaA produção de álcool e açúcar é o setor que mais gera emprego no campo e na indústriaA ameaça de desemprego no setor sucroalcooleiro está cada vez mais iminente no Paraná, caso as empresas venham realmente a paralisar suas atividades, conforme vêm alertando ao setor público. As 29 empresas que produzem açúcar e álcool estão convivendo com sérias dificuldades e muitas já não podem nem honrar a folha de pagamentos, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná, Hermeto Barea.
Para se ter uma dimensão do tamanho da crise, ela já bateu às portas da Usina Cidade Gaúcha, de propriedade de Barea. A empresa foi multada pelo Ministério do Trabalho, porque não fez o pagamento em dia. Barea alegou que não tinha dinheiro suficiente para cumprir a folha no dia indicado. Segundo ele, pagou com atraso, mas não se livrou da multa, que considera injusta diante da situação de penúria que atravessam as empresas sucroalcooleiras.
O setor está sendo penalizado em decorrência da queda de demanda por falta de estímulos do governo federal para o consumo de álcool. E também com a depreciação de até 40% no preço do álcool-combustível.
No Paraná, a situação não é tão grave, a julgar pela tranquilidade das prefeituras. Barea lamenta a falta de interesse das prefeituras dos 115 municípios produtores de cana-de-açúcar, que já foram alertadas para as dificuldades do setor,mas não se preocuparam em unir as forças para estudar alternativas, salientou.
As usinas empregam em torno de 2.500 funcionários cada uma e a maioria está preocupada em honrar a folha. O pagamento de fornecedores e impostos não dá nem para pensar por enquanto, disse Barea. Segundo ele, as usinas não têm mais capacidade para estocar o produto, que beira a 280 milhões de litros no Paraná e de 1,7 bilhão de litros no País.
Segundo Hermeto Barea, o problema começou com o início da desregulamentação do setor, em maio do ano passado, quando o governo liberou o preço do álcool anidro. Com isso, as cinco grandes empresas distribuidoras que compram 85% de todo o volume de álcool combustível passaram a exercer um poder de persuasão, que teve como pano de fundo o aumento da produção de cana-de-açúcar, estimulada pelo governo federal. Só com os descontos impostos pelas distribuidoras, o faturamento das usinas que variava entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões, perdeu R$ 3 bilhões em 1998, calculou.
A Alcoopar está preocupada com a continuidade da desregulamentação do setor, com a liberação do preço do álcool hidratado e da cana-de-açúcar, prorrogada temporariamente. Para evitar novos prejuízos, a entidade está reivindicando o enquadramento da cana na política de preços mínimos, a exemplo do que ocorre com a soja, o milho, o feijão e outros produtos. Também está solicitando a implantação de incentivos para compra do carro a alcool. Se não houver um estímulo diferenciado, as montadoras não vão produzir o carro a álcool, lamentou. Barea considerou tímidas as iniciativas das prefeituras de instituir as frotas verdes, colocando carros movidos a álcool nas compras de carros novos.


