Arquivo Folha‘Dentro do esperado’Fernando Henrique diz que ‘oscilação’ de 6% no mercado de trabalho é uma taxa normal para o momentoO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em Recife, que ‘‘por sorte do brasileiro’’, ele (o brasileiro) não está sendo afetado ‘‘por essa vaga de desemprego que existe no mundo’’. Segundo o presidente, ‘‘no geral o Brasil não teve um crescimento do desemprego catastrófico’’.
Ele observou que o desemprego no Rio de Janeiro foi o mais baixo do ano passado, de 3,6%, e que no Brasil houve uma oscilação normal entre 5% e 6%. FHC assegurou, porém, que fará tudo para que haja mais emprego para a população.
O presidente fez estas declarações durante rápida entrevista coletiva concedida na Base Aérea Militar do Recife, depois da assinatura do protocolo de intenções que garante a retomada da mais antiga obra inacabada do País, a Ferrovia Transnordestina. A linha será construída no trecho Petrolina-Salgueiro, em Pernambuco, numa extensão de 230 quilômetros, e entre Salgueiro e Missão Velha, no Ceará (112 quilômetros), num investimento de US$ 380 milhões.
A ferrovia foi iniciada há 145 anos, ainda no tempo do imperador Dom Pedro II, e vai permitir a interligação ferroviária entre o Nordeste e o Sudeste, transportando cerca de 2 milhões de toneladas de cargas em seu primeiro ano de operação.
Ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, também procurou minimizar, em Belo Horizonte, o alto índice de desemprego registrado na indústria paulista, ao discursar na solenidade de posse da nova diretoria da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Malan afirmou que os problemas com ‘‘emprego e empregabilidade’’ são, hoje, ‘‘uma grande questão política e social em um número expressivo de países’’. Segundo o ministro, o aumento do desemprego no mundo, e também no Brasil, é fruto de um crescente investimento em novas tecnologias industriais ‘‘que reduzem a necessidade de mão de obra’’.
Malan condenou aqueles que, em sua opinião, desejam ‘‘utilizar o período pré-eleitoral para atribuir esse problema à condução da política macroeconômica do Brasil. Para o ministro, o que ocorre em São Paulo, onde, segundo a Fiesp, apenas em janeiro 27 mil pessoas perderam a ocupação na indústria - o pior início de ano, no que diz respeito a empregos, desde o início do Plano Real - é um caso isolado e não reflete o que ocorre no restante do País.

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