O desemprego na Grande São Paulo não cedeu em agosto. Mesmo sem influência do aumento brutal da taxa de juros (promovido este mês) e do acirramento da crise internacional, a taxa no mês passado foi de 18,9% de uma população economicamente ativa de 8,7 milhões de pessoas. Trata-se do mesmo índice dos meses de abril, maio, junho e julho, que ficaram conhecidos como os priores da história em matéria de mercado de trabalho. Assim, a pesquisa do convênio Seade-Dieese, divulgada ontem, foi mais um sinal de que não houve aquecimento da atividade econômica no dois primeiros meses do segundo semestre.
No primeiro semestre, o crescimento do PIB também foi próximo de zero, segundo estimativa do próprio governo. O problema, lembrou o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, é que esta estabilidade se dava no nível mais alto de desemprego desde 1985, quando a pesquisa foi criada. Hoje existem na Região Metropolitana 1,6 milhão de desocupados.
É com esse nível ruim de ocupação que o Brasil vai enfrentar os efeitos da crise. Tanto Martoni quanto o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, não arriscam previsões exatas para os próximos meses. A melhor das hipóteses, segundo eles, é haver estabilidade em outubro e novembro. Depois disso, ninguém sabe.
No ano passado, a alta de juros foi promovida em novembro, também em razão da crise internacional dos mercados, e o efeito foi estabilidade do desemprego durante 60 dias (na época, a taxa era de 16,6% da PEA), e piora do nível do ocupação a partir do terceiro mês. Martoni imagina cenário semelhante este ano.
A esperança de Mendonça é de que a nova alta de juros encontre situação melhor do que no ano passado, com empresas e famílias menos endividadas, e principalmente com trabalhadores em condições de direcionar para o consumo o 13º salário.
Mesmo com possíveis atenuantes, os indicadores de modo geral são ruins, segundo os dois economistas. O cenário é de ajuste fiscal, de contenção expressiva de gastos e investimentos públicos, e de profunda cautela dos agentes econômicos, preocupados com um maior agravamento da crise. ‘‘Este ano, não há mais espaço para redução do desemprego, como esperávamos’’, disse Mendonça.
A única forma de o desemprego ceder, com uma PEA que cresce no Brasil à média de 2% ao ano, é o País passar a ter aumento anual do PIB superior a 5%, para compensar a chegada de novas pessoas ao mercado, o aumento de produtividade (que reduz postos de trabalho) e a reeestruturação das empresas.
Para este ano, isso está fora de cogitação, segundo Martoni. Para o próximo, é uma meta considerada quase impossível. Desse modo, pela lógica, o desemprego deverá continuar avançando.

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