Desemprego na Grande SP tem taxa recorde: 16,3%
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terça-feira, 21 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O desemprego na Grande São Paulo bateu recorde histórico em setembro. Pesquisa da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indica que 16,3% da População Economicamente Ativa (PEA) da região estava desocupada no mês passado. É o maior percentual desde que o levantamento foi iniciado, há 12 anos. Isso representa 1,409 milhão de pessoas sem trabalho. Em agosto, o porcentual de desempregados era de 15,9% (1,371 milhão de pessoas).
A pesquisa considera desempregadas apenas pessoas que não tenham exercido nenhuma atividade remunerada durante 30 dias. Ou seja, quem tem trabalho informal, ainda que esporádico, aparece na pesquisa como ocupado.
O mais preocupante, dizem os técnicos, é que tradicionalmente cresce a oferta de empregos nesta época, quando as fábricas recebem do comércio as primeiras encomendas de fim-de-ano. Esse resultado é inédito, observa Pedro Paulo Martoni Branco, diretor-executivo da Fundação Seade.
O recorde anterior, de 16,2%, havia sido registrado em maio de 1992 e junho de 1996. Nem as contratações do comércio e do setor de serviços conseguiram evitar o recuo no nível de emprego.
As lojas e as empresas de serviços chegaram a criar 34 mil vagas em setembro. Mas a indústria eliminou 39 mil e o setor de serviços domésticos, mais 9 mil. O saldo entre contratações e demissões ficou negativo em 14 mil pessoas. Além disso, mais 24 mil ingressaram no mercado de trabalho, o que acabou resultando num contingente adicional de 38 mil desempregados.
Os lojistas, avalia Martoni, adiaram as encomendas de fim-de-ano, o que, na sua opinião, deve ter provocado as demissões na indústria. Outros dados da pesquisa explicam porque os empresários estão pessimistas em relação às vendas de fim-de-ano e como estão agindo para atender a eventuais aumentos de pedidos sem contratar.
Silêncio no governoMinistros e altos funcionários do governo federal não quiseram comentar ontem a pesquisa Dieese/Seade que apontou uma taxa recorde de 16,4% de desemprego na Grande São Paulo em setembro. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, mandou dizer que o assunto era da alçada do ministro do Trabalho, Paulo Paiva, que também negou-se a avaliar o resultado.


