Carmem Murara
O Plano Real completará cinco anos no próximo dia 1º de julho com uma série de estatísticas que mostram um quadro pouco favorável à população brasileira. O pior desempenho é a taxa crescente do desemprego, que representa hoje 18,3% da população de São Paulo e que, no Paraná, chegaria a 19% conforme estimativa do Dieese estadual. No primeiro ano do plano econômico, o desemprego girava em torno de 14,5% nas principais capitais, sendo que no Estado era de 10%.
As seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese somam cerca de 3 milhões de desempregados, que esperam em média 36 semanas para conseguir novo emprego. Em 94, a recolocação profissional se dava em 22 semanas.
Com exceção da manutenção da inflação em patamares baixos - o que pode ser considerado o ponto mais forte do plano - os demais índices revelam a perda do poder aquisitivo e o encarecimento de tarifas públicas muito acima das taxas inflacionárias. Os números e dados foram apresentados ontem pela equipe do Departemento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em Curitiba.
A inflação medida pelo Índice do Custo de Vida em São Paulo caiu de 911,2% em 1994 para apenas 0,5% em 98, o que representou uma queda média mensal de 21,2% para 0,04% nos cinco anos. A inflação só deu um sobressalto no início deste ano, quando houve a desvalorização do Real. Mas o impacto da desvalorização sobre os preços acabou sendo absorvido por causa da recessão.
A comparação dos cinco anos do Plano Real mostra ainda que houve uma moderada desvalorização da moeda até a primeira quinzena de janeiro deste ano, antes da mudança cambial. Manter o câmbio fixo foi fator determinante para conter a inflação, mas trouxe como consequência direta a estagnação da economia e a inviabilização da exportação. Com a desvalorização de R$ 1,21 para até R$ 2,10 as vendas para outros países passaram a ser mais atrativas. O dólar está estacionado entre R$ 1,65 a R$ 1,72.
As taxas de juros somente neste ano entram em declínio promovido pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto. A avaliação do Dieese indica que elas foram mantidas em patamares elevados para atrair recursos externos e conter o crescimento econômico, segurando a inflação. A taxa média anual de juros chegou a 26,2%, o que representa 10 pontos percentuais acima da registrada nos dois anos anteriores.
Com o juro alto, outra consequência apontada pelo Dieese foi o crescimento da dívida interna, que ampliou sua participação no orçamento global do setor público. Este segmento pagou R$ 72,5 bilhões de juros sobre a dívida durante 1998. Os juros aumentaram ainda a dívida líquida do setor público de R$ 153 bilhões, em 94, para quase R$ 500 bilhões, em 99.
A dívida externa também deu um salto durante o Plano Real. Ela cresceu US$ 75,5 bilhões, impulsionada pela política de abertura comercial de captação de recursos externos.
Já o déficit nas transações correntes chega a US$ 35 bilhões em 98. O Dieese sustenta que o endividamento externo do País permitiu o crescimento das reservas internacionais, que sustentaram os déficits.
Entre os dados do estudo, surge um ponto positivo que é o custo da cesta básica pesquisada pelo Dieese e Procon. Ela aumentou de R$ 104,85, em julho de 94, para R$ 124,19 em maio deste ano, o que totaliza uma variação de 18,4%.

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