O desemprego se estabilizou em maio no pior nível da história: 18,9% de uma população economicamente ativa de 8,7 milhões de pessoas na Grande São Paulo. O número de desempregados já é de 1,654 milhão, com 6 mil a mais do que em abril. O resultado da pesquisa, feita pelo convênio Seade-Dieese, confirmou depoimentos de empresários que, desde o mês passado, estão avisando que não vão contratar novos empregados apesar do esperado aquecimento da economia.
De fato, em maio, o empresariado da indústria ainda estava fazendo ajustes, apesar da queda de juros e da retomada de mercado em alguns setores. A indústria fechou nada menos que 17 mil postos de trabalho - o equivalente a 1,2% do estoque disponível. Os segmentos que mais demitiram foram o metalúrgico e o de alimentação.
No comércio, o Dia das Mães e a Copa do Mundo parecem ter colaborado para uma reposição de postos de trabalho. O setor abriu 32 mil vagas. ‘‘É uma boa notícia, mas o fato é que o emprego no comércio está saindo de um nível muito baixo’’, afirmou o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. ‘‘De dezembro a abril, o comércio eliminou 102 mil postos e, portanto, uma recuperação ainda está muito longe.’’
Para chegar à média de ocupação do ano passado, o comércio teria de continuar criando empregos no mesmo ritmo por três meses, hipótese considerada muito difícil de se cumprir.
Serviços continuam mostrando fôlego baixo, com abertura de apenas 3 mil empregos. Já há um ano, o setor, que era o ‘‘amortecedor’’ do desemprego estrutural na indústria, deixou de cumprir essa função, segundo Mendonça. Outras atividades (incluindo construção civil e serviços domésticos) criaram mais 3 mil postos.
Com saldo positivo de empregos - um setor pelo outro, no final a conta foi de criação de 21 mil vagas -, a taxa de desemprego deveria ter cedido. Mas a população economicamente ativa (PEA) continuou crescendo em maio. Ou seja, mais gente estava procurando emprego do que a capacidade do mercado de oferecer trabalho.
Em 12 meses, nunca houve tanta gente procurando ocupação. Na comparação entre os meses de maio, desde 1988, a PEA de maio bateu recorde, com 8,749 milhões de pessoas.
As razões desse crescimento da oferta de candidatos passam em parte pelo aumento do desemprego: quando um chefe de domicílio é demitido, os outros membros da família - donas de casa e jovens - partem para o mercado em busca de renda. Além disso, o movimento de expansão da PEA é também sazonal, e em maio geralmente registra-se algum crescimento.
Para junho, não há previsões otimistas. ‘‘É de se esperar que o desemprego ceda um pouco, mas nada que altere significativamente o nível alto dos últimos meses’’, afirmou o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. A indústria pode continuar demitindo ou estabilizar na baixa seu nível de emprego. Para Martoni, não há garantias e nem indicações seguras de que o comércio continue contratando.
Além disso, segundo Mendonça, o setor de serviços não promete muito enquanto a renda estiver estável. Em abril (último dado disponível), o rendimento médio real dos ocupados permaneceu exatamente no nível de março: R$ 859, ou seja, R$ 35 menos do que em abril do ano passado.

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