Pela primeira vez na história, o desemprego na Grande São Paulo atingiu a marca de 1,5 milhão de pessoas. Em março, outros 32 mil postos de trabalho foram eliminados e houve aumento da oferta de mão-de-obra. O resultado foi um novo recorde da taxa de desemprego da pesquisa Seade-Dieese, que passou a 18,1% da População Economicamente Ativa (PEA), ante 17,2% de fevereiro. Esse 0,9 ponto porcentual de diferença representou o aumento de 86 mil pessoas desocupadas na região. Em fevereiro, quando houve o recorde anterior, existiam 1,470 milhão de desempregados. No mês passado, foram 1,556 milhão.
A pesquisa foi divulgada ontem, com pelo menos uma boa notícia: a indústria criou 14 mil postos, depois de sucessivos declínios no nível de ocupação, desde fevereiro de 1997. São postos basicamente assalariados e com carteira de trabalho assinada, resultado do desempenho favorável do emprego nos ramos Metal-Mecânico (crescimento de 1,7%) e Gráfica e Papel (de 5,9%).
O diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, contudo, disse que esse movimento de expansão é ainda tímido demais. ‘‘Infelizmente, esse dado não autoriza uma leitura otimista do quadro de emprego na indústria daqui para a frente’’, afirmou. No acumulado desde março do ano passado, o prejuízo de postos na indústria é imenso: 188 mil foram extintos, o que representa uma redução de 11,8% na oferta.
A principal explicação para o novo aumento do índice de desemprego foi a redução de 48 mil postos no comércio, não compensados pelas contratações na indústria. Mendonça informou que é usual o declínio da ocupação nesse setor nos meses de março, mas notou que o índice (-3,9%) foi bem mais elevado do que no ano passado (de -1%). Outros setores (construção civil, serviços demésticos, etc) criaram 4 mil.
O setor de serviços continua sem fôlego, segundo a pesquisa. Eliminou 2 mil vagas em março, comportamento que vem se repetindo desde novembro. Mesmo assim, o saldo em 12 meses ainda é bastante positivo: desde março do ano passado houve criação de 127 mil postos, ou seja, crescimento de 3,6% no nível de ocupação. O problema é que a tendência, segundo Mendonça, é de esgotamento. ‘‘O setor de serviços deixou de ser o colchão amortecedor do emprego industrial’’, disse. ‘‘Hoje já não cria mais empregos nem em quantidade e nem em qualidade.’’
Em abril, o desemprego ainda deve continuar crescendo, por problemas de sazonalidade na atividade econômica, de acordo com o economista. A intensidade do aumento, provavelmente, será novamente pequena, como foi em março. Segundo Mendonça, em anos anteriores o desemprego crescia mais nos primeiros meses do ano, em termos porcentuais. ‘‘O problema é que a taxa está tão alta que qualquer oscilação representa uma quantidade enorme de novos desempregados no mercado.’’

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