Desemprego interrompe rota de queda
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quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Agência Estado 
SÃO PAULO - O índice de desemprego interrompeu a trajetória de queda iniciada no mês de julho e manteve-se inalterado em outubro. O total de desempregados na Grande São Paulo correspondeu a 14,8% da População Economicamente Ativa (PEA) da Grande São Paulo, mesmo percentual do mês de setembro, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). Esse movimento contraria a tendência dos meses de outubro, quando normalmente ocorre queda do desemprego por causa do aquecimento da economia no final do ano.
A indústria voltou a contratar e empregou 9 mil pessoas em outubro, um aumento de 0,6%. A indústria vem fazendo pequenas admissões desde agosto, mas o crescimento ainda não havia ultrapassado 0,1 ponto percentual ao mês. Além da indústria, também o comércio empregou mais 16 mil pessoas em outubro e outros setores (construção civil e doméstico) criaram 24 mil postos de trabalho. Como serviços demitiu 39 mil trabalhadores, o saldo foi de 10 mil novos ocupados na Grande São Paulo, um crescimento de 0,1% no mês. A principal causa das demissões em serviços foi o fim da campanha eleitoral, na avaliação do diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. A maior parte das vagas foi de contratações sem carteira assinada (4,5%) e no trabalho autônomo (2,2%), enquanto diminuiu o emprego com carteira (0,8% de queda).
Salário Os salários voltaram a crescer em setembro e os valores médios pagos foram os maiores do ano. Os maiores rendimentos tiveram variação bastante significativa: até 8,5%, enquanto na indústria o salário médio subiu 8,6% no mês de setembro em comparação ao mês de agosto. Os ocupados de menor renda tiveram pequena redução (0,1%) no valor real dos rendimentos, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e Dieese.
O salário médio real cresceu 2,2% e ficou em R$ 815, maior valor do ano, já considerando a inflação medida pelo Dieese. Entre os ocupados, o rendimento médio subiu 2,1%, elevando o valor pago para R$ 835, também recorde de 1996. Na indústria, o salário médio cresceu 8,6% no mês de setembro.
A alta dos salários reflete uma mudança na ocupação: foram fechadas 39 mil vagas no setor de serviços (especialmente pelo fim das campanhas eleitorais) e abertos 9 mil empregos na indústria. Como o salário médio é normalmente mais alto na indústria que no setor terciário, essa troca na ocupação pode ser uma das causas da elevação dos rendimentos reais, diz Sérgio Mendonça, do Dieese.


