Desemprego industrial pára de cair
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de maio de 2000
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
O emprego na indústria brasileira parou de cair em março, em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas os salários ainda estão em queda, quando comparados ao mesmo período.
Segundo dados divulgados ontem no Rio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em março deste ano houve crescimento tanto do emprego industrial quanto da massa salarial, em relação a fevereiro. Na comparação com março do ano passado, entretanto, o índice de crescimento do emprego foi zero e a massa salarial teve queda de 1,5%.
Os números foram analisados com otimismo pelos técnicos do IBGE porque, desde julho de 1995, é a primeira vez que o índice de emprego não apresenta resultado negativo. Ou seja, como disse o presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 15, no Rio de Janeiro, o País está indo de mal a menos mal, pelo menos.
Segundo Paulo Gonzaga, do Departamento de Indústria do instituto, é possível que o índice seja positivo em abril. O emprego parou de cair. O emprego vinha caindo desde julho de 1995 e no mês que vem tudo leva a crer que o emprego vai voltar a crescer, disse.
Quanto à massa salarial, apesar de negativo, o índice vem demonstrando recuperação a partir de setembro de 1999. Gonzaga explica que essa recuperação vem sendo puxada pelos chamados rendimentos variáveis horas extras, abonos e gratificações.
Na comparação de março com fevereiro, a massa salarial cresceu 0,9%, mas continuou caindo no acumulado do ano (-3,8%) e nos últimos 12 meses (-8,4%).
O mesmo comportamento é observado na variação do emprego. Houve crescimento de fevereiro para março (0,5%) e queda tanto no acumulado do ano (-0,9%) quanto nos últimos 12 meses (-5,3%). Desde novembro do ano passado o emprego industrial medido mês a mês não registrava crescimento.
Segundo Gonzaga, o início da recuperação da indústria, no segundo semestre de 1999, não se reflete imediatamente no emprego. Quando começa a crescer a produção industrial, o emprego não cresce na mesma hora. Segundo Gonzaga, a primeira reação dos empresários é ser mais criterioso na hora de demitir, gerando um movimento menor da queda do emprego. Ele afirma que, ao mesmo tempo em que ocorre essa desaceleração, as jornadas de trabalho e das horas extras também crescem, gerando um impacto positivo mais a frente, tanto no salário em carteira quanto no aumento de postos de trabalho.
Em relação a março de 1999, a pesquisa revela que os três locais onde há maior crescimento do emprego são as regiões Sul (2,5%) e Nordeste (0,1%), além de São Paulo (0,2%). As maiores quedas estão localizadas no Rio de Janeiro (-7,4%) e Minas Gerais (-2,7%).


