O aquecimento da atividade econômica no segundo semestre começa a mostrar resultados no nível de emprego nos setores do comércio e da indústria, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A taxa de desemprego de julho manteve-se em 18,6% da população economicamente ativa, a mesma registrada em junho na região metropolitana de São Paulo, mas novos 56 mil postos de trabalho foram criados na indústria e outros 35 mil no comércio no período.
A estabilidade da taxa ficou por conta da redução do número de vagas nos serviços (82 mil) e em outros setores (24 mil), que contrabalançou o crescimento nos outros segmentos. Houve queda também, em junho, de 3,2% no rendimento médio de ocupados e assalariados, que desceu para R$ 818,00 e R$ 845,00, respectivamente.
A economista da Fundação Seade Paula Montagner explica que a redução dos postos de trabalho ficou concentrada na construção civil e no emprego público. No caso estatal, a diminuição ficou por conta da rescisão de contratos que terminariam até o fim do ano, mas tiveram de ser adiantados por causa das eleições municipais (que proíbem a contratação e demissão durante um período).
A economista acrescenta que a maioria das novas vagas é para cargos assalariados, com carteira assinada. Paula espera a continuidade do crescimento do emprego na indústria e no comércio em agosto e, provavelmente, a recuperação também do setor de serviços. Mesmo com o aumento das vagas, há possibilidade de o rendimento não seguir a mesma trajetória, já que em julho o índice de inflação atingiu o pico em São Paulo, ficando em 1,4% segundo o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O nível de desocupação tem-se mantido estável desde abril na Grande São Paulo. Entre julho do ano passado e o mesmo mês de 2000, a taxa total de desemprego caiu de 20,1% para 18,6%, o que significou menos 122 mil pessoas sem ocupação. Segundo a pesquisa, em julho, o contingente de desempregados era de 1.685.000 de pessoas na região metropolitana. O levantamento mostra ainda que o tempo médio na procura de trabalho subiu de 47 para 50 semanas no mês passado.
Em junho, as massas de rendimento dos ocupados e assalariados caíram, respectivamente, 3,5% e 3,1%. Entre maio e junho, o salário médio real apresentou queda de 3,1% no setor privado.

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