Desemprego fica em 7,3% em agosto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro De julho para agosto, o mercado de trabalho teve uma discreta melhora: a taxa de desemprego caiu um pouco, novas vagas foram criadas e o número de pessoas fora do mercado diminuiu. A pequena recuperação ocorreu por causa do aumento da informalidade.
Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, o desemprego ficou em 7,3% em agosto contra 7,5% em julho. O resultado supera, porém, em 1,1 ponto percentual a taxa de 6,2% de agosto de 2001.
Em relação a agosto de 2001, o número de pessoas ocupadas cresceu 2,3%. O total de pessoas fora do mercado subiu apenas 0,3%. Descontados os fatores sazonais, a taxa de desemprego em agosto foi de 7,2%, ante 7,4% em julho.
Segundo o IBGE, a melhora ocorre ao mesmo tempo em que aumenta a informalidade. É que as novas vagas têm sido criadas principalmente nos setores de serviços e comércio, que são os que mais contratam sem carteira assinada e pagam os menores salários.
Prova disso é o crescimento maior das contratações sem carteira assinada do que as com registro formal -3,8% em agosto, em relação ao mesmo mês do ano ano passado, ante 3,4% do emprego formal. Em meses anteriores, a diferença havia sido ainda maior. De janeiro a agosto deste ano, o número de empregados sem-carteira cresceu 4,1%, enquanto o dos que têm carteira assinada aumentou 1,8%.
''Está acontecendo há pelo menos três meses um processo de recuperação. O movimento, no entanto, ainda não foi capaz de compensar a retração de 2001 e do primeiro trimestre deste ano'', disse o economista Luís Suzigan, da consultoria LCA.
Para Suzigan, é a indústria que está liderando essa reação. O motivo, diz, é a ampliação tanto das exportações como das substituições de importações, beneficiadas pela alta do dólar. O câmbio, segundo ele, também beneficia o turismo interno, que tem impacto indireto no setor de serviços.
Um cenário de crescimento da ocupação, diz Suzigan, não tem relação com a demanda interna, que continua enfraquecida, refletindo na queda do rendimento.
Por setores, aumentou significativamente o número de trabalhadores no comércio e nos serviços (ambos 3,5%), na comparação com agosto de 2001. Diminuiu na construção civil (5%). Na indústria de transformação, houve alta de 2,1% -foi a terceira elevação seguida.
Para Shyrlene Ramos de Souza, economista do IBGE, é melhor ter mais informalidade do que mais desemprego. Ela disse que o mercado de trabalho está reagindo, apesar de ainda não ser do modo ideal, pois os postos gerados são de pior qualidade.
Mesmo dizendo que o mercado de trabalho está melhor, Shyrlene considera que não há espaço para uma recuperação mais intensa neste ano, por causa da crise financeira e das eleições.
Segundo o economista Sergei Soares, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), há no Brasil um desestímulo para se contratar formalmente, por causa dos encargos. ''Nem sei como alguém ainda assina carteira no Brasil. A maior informalidade é o dado mais negativo da pesquisa.''


