Desemprego exige política específica
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Representante do governo na reunião da bancada do PT na Câmara, que ocorreu ontem em Brasília, o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) levou aos deputados a avaliação dominante da cúpula do Executivo de que o crescimento econômico não representará redução das taxas de desemprego. Segundo ele, o País precisa de políticas específicas para resolver esse problema.
Para o ministro - que citou o programa Primeiro Emprego como exemplo de política específica -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está transmitindo o ''recado'' para as câmaras setoriais. A previsão do governo é de crescimento de 3,5% para 2004, enquanto que a expectativa do Congresso Nacional é de 4%.
Segundo o Ministério do Trabalho, o nível de emprego formal no Brasil cresceu 2,89% em 2003. O balanço das demissões e contratações de 2003 resultou num saldo positivo de 645.433 novos postos de trabalho.
Os dados são do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), que não mede o nível de emprego informal, ou seja, sem carteira assinada. Outras pesquisas que medem o emprego informal registraram o avanço do desemprego no País. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, a taxa média de desemprego de 2003 no País foi de 12,3%, maior que a taxa medida em dezembro de 2002, de 10,5%.
Para a Fundação Seade/Dieese, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 19,9%. Foi a maior taxa de desemprego já medida para a região desde 1985, quando a pesquisa foi iniciada.
O setor de serviços, no levantamento do Caged, puxou o crescimento do emprego com carteira assinada em 2003. Segundo o Caged, foram criados no ano passado 645.433 postos de trabalho com registro em carteira, o que elevou em 2,89% o nível de emprego formal. Deste total, 260.285 postos foram criados pelo setor de serviços, onde o nível de emprego cresceu 2,92%. O comércio - que criou 225.908 vagas em 2003 - registrou um avanço de 4,78% no emprego formal.
A indústria registrou o menor crescimento: 128.791 novos empregos. Com isto, o nível de emprego formal do setor cresceu 2,47% em 2003, de acordo com o Caged.
Na reunião, Dulci disse que o governo Lula será ''julgado pelas mudanças que fizer'', mas que o período de mudanças ainda não começou - principalmente na área social. De acordo com Dulci, o objetivo é superar os modelos anteriores que pressupunham crescimento econômico sem estabilidade ou estabilidade sem crescimento econômico.
''No ano passado o governo investiu R$ 4 bilhões, neste ano vamos investir R$ 12 bilhões. O governo está adotando uma política prudente de reserva técnica em relação a uma parte das emendas. Se a arrecadação for superior ao que o governo previu, os recursos serão liberados ao longo do ano'', disse.


