Desemprego entre jovens cresce 44% na AL
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - O desemprego entre os jovens atinge um número recorde no mundo e tudo indica que, até 2015, será cada vez mais difícil encontrar um trabalho para pessoas entre 15 anos e 24 anos. A avaliação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, para marcar o Dia Internacional da Juventude (hoje, dia 12), publica um estudo onde mostra, entre vários aspectos, que o desemprego entre essa camada da população na América Latina teve um aumento de 44% nos últimos dez anos e que, no total, 9,4 milhões de jovens latino-americanos estão sem emprego. Segundo o relatório, uma redução pela metade do número desses desempregados da região poderia adicionar até 7,8% ao Produto Interno Bruto (PIB) do continente, entre US$ 186 bilhões e US$ 298 bilhões.
De acordo com a OIT, o problema do desemprego é geral, mas atinge os jovens de maneira mais intensa. São 88 milhões de jovens sem emprego no mundo, uma taxa que representa 14,4% dessa população, contra 11,7% em 1993. O que preocupa a OIT é que as pessoas entre 15 anos e 24 anos já somam 47% do total dos desempregados no mundo, mas representam apenas 25% da população em idade de trabalhar. O problema atinge economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Mas, nos países pobres, um jovem tem 3,5 vezes mais chance de não encontrar um trabalho que um adulto e, na América Latina, enquanto a taxa de desempregados entre 15 anos e 24 anos chega a 16,6%, o índice entre os adultos é de 5,4%.
Durante os últimos dez anos, o problema do desemprego dos jovens não parou de aumentar. Enquanto o número de jovens no mundo cresceu 10,5% desde 1993, os postos de trabalho para essa população cresceram 0,2%. A América Latina, por exemplo, somou 13,1% a mais de jovens nos últimos dez anos, passando de 95 milhões de pessoas para 104 milhões. O problema é que apenas 2,8% a mais de jovens conseguiram entrar no mercado de trabalho nesse mesmo período e os empregados passaram de 46,2 milhões de jovens para 47,5 milhões. ''Estamos desperdiçando uma parte importante da energia e do talento da geração de jovens mais educada que tivemos'', completou Juan Somavia, diretor da OIT.


