A taxa de desemprego no País se manteve em 6,5% em abril, exatamente o mesmo porcentual registrado em março. O índice é o menor em abril desde 1997, quando atingiu 5,8%, e é inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado (7,8%). A técnica do Departamento de Emprego e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Shyrlene Ramos de Souza, destacou a redução do emprego informal, com queda de 4,4% no número de trabalhadores sem carteira assinada em abril, e o aumento de 6% nos funcionários com carteira assinada, sempre na comparação com o mesmo mês de 2000.
Ela admitiu que a taxa de desemprego continua elevada, mas mantém a tendência de queda. Shyrlene explicou que o crescimento do emprego formal está ocorrendo porque a indústria, que tem como característica a admissão com carteira assinada, é o setor que mais tem contratado no País, com aumento de 2% nas contratações em abril.
Entre janeiro do ano passado e abril deste ano, o número de empregados com carteira cresceu 4,3%, enquanto os informais tiveram crescimento menor no período, de 0,5%. Em abril, entre os 17,1 milhões de pessoas ocupadas no Brasil, 7,7 milhões tinham carteira assinada e 4,5 milhões trabalhavam informalmente.
A manutenção do desemprego em níveis elevados tem tido consequências sobre o rendimento dos trabalhadores, explicou Shyrlene. O rendimento médio referente a março (o último mês contabilizado pelo IBGE) foi de R$ 740,08, equivalente a 4,9 salários mínimos. Houve queda de 0,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo Shyrlene, a reduzida oferta de emprego tem diminuído o poder de negociação dos trabalhadores por melhores salários.
Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a maior taxa de desemprego foi registrada em Salvador (10,3%) e a menor no Rio de Janeiro (4,7%). Em São Paulo, a taxa em abril foi de 6,6%, inferior aos 8% registrados no mesmo mês do ano passado. Os demais resultados foram: Recife (7,9%), Belo Horizonte (7,5%) e Porto Alegre (5,8%).
Racionamento Sobre as possíveis consequências do racionamento de energia na taxa de desemprego, Shyrlene acredita que as empresas vão buscar maneiras alternativas de redução dos custos com a folha de pagamento, antes de demissão dos funcionários. Segundo ela, ainda é cedo para avaliar os impactos de uma possível desaceleração da economia – também como resultado do racionamento – no mercado de trabalho.
Shyrlene acredita que as empresas inicialmente vão reduzir a produção, depois o número de horas trabalhadas e, simultaneamente, vão negociar alternativas de acordos com os funcionários. Ela lembra que ‘‘é caro demitir’’, especialmente se novas contratações forem necessárias ao final da crise.

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