Desemprego é recorde no Japão
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sábado, 01 de agosto de 1998
Agência Estado/Reuters 
O novo primeiro-ministro do Japão, Keizo Obuchi (foto), recebeu as provas mais recentes de que o país vive a pior recessão dos últimos 50 anos. O índice de desemprego estabeleceu em junho um recorde do pós-guerra, chegando a 4,3%, ante os 4,1% registrados no mês anterior. Os preços ao consumidor recuaram 0,4% no mesmo período, em todo o território nacional, em relação a maio, e o nível de atividade econômica sofreu contração de 0,7% no exercício fiscal que terminou em 31 de março.
Os indicadores oficiais foram tão contundentes que nem a promessa do novo ministro das Finanças, Kiichi Miyazawa, de antecipar a divulgação dos cortes de impostos para o dia 7 de agosto foi suficiente para conter o avanço da cotação do dólar em relação ao iene japonês.
Ante recessão e a perspectiva de não-intervenção do Banco do Japão, a cotação da divisa norte-americana subiu de 143,82 ienes para 144,67 ienes, maior taxa desde 16 de junho, quando o dólar foi negociado a 146,65 ienes e exigiu uma atuação conjunta do BOJ e do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
Dados oficiais divulgados pelo Departamento do Trabalho indicam que 2,84 milhões de japoneses estão sem emprego, número 24% superior ao verificado há um ano. Mas o desemprego não é a única preocupação das autoridades, pois os especialistas constataram também um recuo de 18,7% no volume de horas extras trabalhadas em junho, em relação ao mesmo período de 97.
A redução do número de horas extras trabalhadas resultou, segundo o Ministério do Trabalho, em uma queda de 0,9% nos salários efetivamente pagos. Mais inseguros e com menos dinheiro no bolso, os consumidores compraram menos, o que provocou uma desaceleração também no setor de habitação. O volume de obras iniciadas por contrutoras e empreiteiras caiu 11,7% em junho.
Um relatório do Banco do Japão alerta para a possibilidade de aceleração do ritmo de desaquecimento nos próximos meses, enquanto a Agência oficial de Planejamento Econômico já admite rever para baixo a meta de 1,9% de crescimento prevista para este ano.
Em seu primeiro dia no cargo, Obuchi deixou claro que não se deve esperar de seu governo uma solução mágica e rápida para os problemas econômicos do país. Não sou super-homem, disse ao prever que a retomada do crescimento levará ainda cerca de dois anos.
Já o ministro das Finanças disse acreditar que a melhor forma de reativar a economia será antecipar a redução de impostos para estimular o consumo. Segundo Miyazawa, Obuchi prometeu ao Parlamento cortar 6 trilhões de ienes (US$ 41,5 bilhões) em tributos em 1999 - 4 trilhões de ienes seriam relativos à redução do imposto de renda das pessoas físicas e 2 trilhões das jurídicas.


