Desemprego é recorde em outubro: 16,5%
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quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O desemprego subiu e voltou a bater recorde no mês de outubro. A taxa na Grande São Paulo alcançou 16,5%, a maior desde janeiro de 1985, segundo a pesquisa da Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). Isso indica que 1,428 milhão de pessoas estavam desempregadas na região.
O desemprego cresceu em outubro por duas razões: mais pessoas decidiram procurar emprego, enquanto serviços e indústria eliminaram postos de trabalho. Este dado ainda não capta os efeitos da elevação dos juros e do pacote fiscal, adotados entre o último dia de outubro e o dia 10 de novembro. No mês de setembro - recorde anterior - a taxa foi de 16,3%.
No mês de outubro o comércio criou 42 mil vagas, principalmente para trabalhadores temporários com o objetivo de reforçar o quadro de vendedores para o final do ano. Na avaliação dos técnicos responsáveis pela pesquisa, este fenômeno deve ser repetido em novembro e dezembro, o que ajudará a reduzir o desemprego nestes dois meses, apesar dos efeitos de desaquecimento sobre a economia provocados pelo pacote de ajuste fiscal e alta dos juros.
A tendência é de que queda na taxa neste final do ano, diz Pedro Paulo Martoni Branco, diretor-executivo da Fundação Seade. Mas deve ocorrer crescimento do desemprego no primeiro trimestre do próximo ano, acrescenta.
Este aumento de vagas no comércio e mais 2 mil empregos criados pela construção civil e ocupações domésticas reduziram o impacto das 34 mil demissões feitas pelo segmento de serviços e outras 16 mil feitas pela indústria. O resultado final foi uma pequena queda de 0,1% na ocupação, equivalente a uma eliminação de 10 mil vagas.
O comportamento normal para o mês de outubro é de aumento de vagas em todos os setores nesta época do ano, diz o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. Nos 13 anos da pesquisa, a ocupação cresceu em 11 deles, ficando negativa apenas em 1987 e agora em 1997, informa.
A pesquisa Seade/Dieese é feita a partir de 3 mil entrevistas mensais e mede tanto o número de desempregados como o total de ocupados. No mês de outubro o número de desempregados aumentou em 19 mil pessoas. Deste total, 10 mil representam postos de trabalho eliminados e outros 9 mil são pessoas que estavam fora do mercado de trabalho e decidiram, no mês, voltar a procurar emprego.
Por conta desta maior procura, a População Economicamente Ativa (PEA) da Grande São Paulo cresceu para 8,655 milhões de pessoas em outubro. Ela era de 8,646 milhões em setembro.
Renda No mês de setembro o rendimento médio real dos ocupados (inclui autônomos e assalariados) cresceu 1,7%, passando a ser de R$ 875. O salário real médio ficou quase estável, com um pequena queda de 0,2%, passando a equivaler a R$ 860. Na comparação com setembro de 1996, a massa de rendimentos dos ocupados caiu 2,0% e a massa dos assalariados foi reduzida em 2,0%.


