Josoé de CarvalhoDespreparoShinyashiki: ‘‘Apenas 20% da população é de campeões. Os outros são dinossauros em extinção’’ Em época de globalização, reengenharia e, principalmente, desemprego crescente, o conferencista Roberto Shinyashiki, que fez a palestra ‘‘O Sucesso é ser feliz’’, na última quarta-feira em Londrina, surpreendeu parte da platéia - totalmente tomada - ao afirmar que só existe desemprego para trabalhadores medíocres. Ele criticou o que chama de ‘‘comoditização’’ do ser humano, das empresas e serviços. Tudo, em sua opinião, estaria virando commodity, mercadoria.
Segundo Shinyashiki, formado em Medicina com especialização em Psiquiatria e pós-graduação em Administração de Empresas, o ‘‘trabalhador medíocre é uma commodity e está mais preocupado em reclamar do que em se reciclar, crescer e oferecer serviços especiais’’. Ele disse ter ficado preocupado com o resultado de uma pesquisa recente revelando que 65% dos trabalhadores do País têm o desemprego como principal preocupação. ‘‘Isto mostra que 65% dos brasileiros só pensam em fazer jogo de poder, fofocar e puxar o tapete dos outros dentro das empresas’’.
Para Shinyashiki, existe escassez de ‘‘campeões’’ no mercado. ‘‘Faltam funcionários competentes, que estejam preocupados em melhorar’’, afirmou, para um público de mais de mil pessoas, de Londrina e cidades vizinhas. A palestra foi promovida pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD/PR).
Shinyashiki aproveitou a sua experiência profissional em grandes organizações como a Microsoft, Nestlé, Petrobrás e Rede Globo para dar um conselho no campo do desenvolvimento pessoal: ‘‘O ser humano precisa gastar energia em sua evolução e não dispensá-la vendo os jogos de futebol ou todos os capítulos das novelas na televisão. Vamos estudar’’, disse.
Para o psiquiatra, apenas 20% da população é formada por ‘‘campeões’’ no cenário atual. ‘‘O restante é composto de dinossauros, seres em via de extinção’’. E completou: ‘‘Estes empresários dinossauros estão mais preocupados em culpar o governo do que em administrar bem suas empresas’’.
A conferência teve também momentos mais amenos. O conferencista chegou a ‘‘tocar o coração’’ de alguns empresários ao lembrá-los de fazer coisas simples do cotidiano, como dar um beijo na esposa ao chegar em casa e conversar com os filhos à noite, ‘‘em vez de pensar exclusivamente em negócios e lucro’’. E deu um conselho para os administradores de empresas: ‘‘Mais do que produtos e serviços, é preciso oferecer felicidade aos clientes’’.
Shinyashiki traduz esta ‘‘felicidade’’ como segurança e tranquilidade. ‘‘Quando contratamos um serviço de entrega, no Brasil, o produto nunca chega na hora marcada. Às vezes não chega nem no dia combinado. Isto gera angústia e incertezas no comprador’’, afirmou, aconselhando o empresariado a ser generoso - oferecendo sempre mais do que o que foi contratado. ‘‘É um diferencial que toda empresa precisa adotar’’.
‘‘Uma boutique tem que vender mais do que roupas. Tem que oferecer charme, elegância e glamour. Um restaurante deve oferecer, junto com a comida, encontros, diversão e lazer’’, recomendou. Vendedores e gerentes, disse, devem deixar os problemas de lado quando estão trabalhando, vislumbrando apenas as suas metas profissionais. ‘‘Quando se caminha em cima de brasas, devemos olhar sempre para a frente para não sentirmos dor’’, comparou. Os pilares para se alcançar a felicidade são a competência, o sentido, a ação e a generosidade, alistou.
‘‘Se o ser humano não for competente, não será feliz. A competência é desenvolvida com treino e muito estudo’’, disse. ‘‘É fundamental saber a direção para onde se quer ir e agir nesse sentido. Além disso, precisamos ser generosos com os outros. Mais do que crescer, temos que ajudar as pessoas que nos cercam a serem campeãs’’.

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