Rio - O índice de desemprego aberto apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis maiores regiões metropolitanas do país atingiu 7,6% em abril, o nível mais elevado nos últimos dois anos. Em março, esse indicador era de 7,1% e de 6,5% em abril do ano passado.
Apesar de considerar que a taxa de abril é alta, a técnica do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, observa que o índice não deve ser analisado de forma isolada, alertando para o aumento do número de trabalhadores entre abril de 2001 para abril deste, em torno de 1,8%.
‘‘Está havendo aumento no número de trabalhadores, embora em ritmo inferior ao aumento da população ativa’’, comentou Shyrlene. Além disso, sempre que a economia emite sinais de melhora há aumento do número de pessoas que se animam a procurar emprego, o que traz pressão adicional sobre o índice. Shyrlene lembrou que o país já registrou indicadores piores para um mês de abril. Em 1998, a taxa de desemprego aberto no mês era de 7,9%, em 1999 de 8% e em 2000 de 7,8%.
O número do IBGE deste ano está acima da projeção divulgada por outra instituição vinculada ao Ministério do Planejamento, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projetou taxa média de desemprego aberto de 7%.
O rendimento dos trabalhadores registrou ligeira recuperação em março, com aumento de 0,3% em relação a fevereiro, mas apresentou queda de 5,3% em relação a março do ano passado nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre).
Por questões metodológicas, os dados do IBGE referentes ao rendimento são divulgados com um mês de defasagem em relação ao de emprego. O rendimento médio apurado ficou em torno de R$ 769,27 (4,3 salários mínimos) em abril.
O trabalhador interessado em novo emprego está precisando de mais tempo até conseguir nova colocação. Em abril deste ano, a média ficou em 21,4 semanas (mais de cinco meses). Em março, a média ficou em 20,5 semanas e 19,8 semanas em abril do ano passado.
A população desocupada nas seis maiores regiões metropolitanas está crescendo em ritmo bastante acelerado. Segundo os dados do IBGE, nos primeiros quatro meses do ano, enquanto a população economicamente ativa (população com 15 anos ou mais em condições de trabalhar) cresceu 2,6% em relação a igual período do ano passado, a população ocupada só aumentou 1,4%. Com isso, o número da população desocupada aumentou 20,7% na média dos quatro meses deste ano em relação ao primeiro quadrimestre de 2001.
Nas duas maiores regiões metropolitanas do país, os dados são ainda piores. Em São Paulo, o número de pessoas desocupadas cresceu 37,6% e, no Rio de Janeiro, 41,3%. Em Salvador, Recife e Belo Horizonte houve queda na população desocupada (quedas de 17,2%, 9,2% e 2%, respectivamente) enquanto em Porto Alegre houve aumento de 3,6%.

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