Desemprego é o maior desde maio de 2000
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A taxa de desemprego aberto do País atingiu 7,7% em maio, chegando ao nível mais elevado deste ano, mas manteve-se praticamente estável em relação a abril (7,6%). A maior contribuição para o índice foi dada pela região metropolitana de São Paulo, que concentra o maior mercado de trabalho do País, e registrou no mês a maior taxa dos últimos 20 anos: 9,2%.
Os dados foram divulgados ontem na Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa nacional de maio foi a sétima maior desde o início da série histórica do IBGE, em 1982, e a mais elevada desde maio de 2000.
Enquanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) for moderado, não há como esperar uma forte reação dos níveis de emprego no País, disse a coordenadora da pesquisa, Shyrlene Ramos de Souza. Para ela, os dados mostram que o mercado de trabalho continua apresentando taxa elevada de desemprego, queda no rendimento e aumento da informalidade acima do crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada.
O principal problema é que o mercado de trabalho está absorvendo mão-de-obra, mas não no mesmo ritmo em que cresce a procura por uma vaga. Em maio, o número de pessoas ocupadas ou trabalhando cresceu 1,9% ante igual mês do ano anterior, mas o número de desocupados - os que procuram trabalho, segundo o conceito da pesquisa do IBGE - aumentou bem mais, chegando a 16,7%.
O economista José Márcio Camargo, da Tendências Consutoria e da PUC-RJ, considera a taxa de maio historicamente muito elevada no Brasil. Ele atribui o alto porcentual especialmente ao que chama de revolução da economia do País nos anos 90, com aumento da necessidade de qualificação de mão-de-obra.
Essa mudança acabou tornando mais difícil para trabalhadores demitidos encontrarem nova colocação. Além disso, cita também a expansão moderada da economia. Um crescimento maior do PIB poderia reduzir a taxa, mas ela provavelmente continuaria elevada pela questão da qualificação, avalia.
Como um dos efeitos do problema da qualidade da mão-de-obra, a informalidade também foi ampliada no último ano, com aumento de 4,2% no número de trabalhadores sem carteira assinada em maio, ante uma expansão menor (2,3%) no número de ocupados com carteira.
O rendimento médio em abril manteve a trajetória de queda consecutiva iniciada há 16 meses na comparação com igual mês do ano anterior e teve retração de 4,1% ante abril do ano passado. No entanto, houve crescimento de 1,3% na comparação com março, especialmente sob influência do reajuste do salário mínimo, segundo Shyrlene.


