Desemprego e juro alto inibiram consumo e reduziram inadimplência
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Desemprego e juro alto. Esses foram alguns dos fatores que inibiram o consumo neste ano. O consumidor preferiu pagar as contas e ''limpar o nome'' ao invés de acessar mais crédito e acabou colaborando para a redução nos níveis de inadimplência do País.
Duas instituições, a Abracheque e a Serasa, divulgaram ontem que houve queda na inadimplência neste ano. Motivo: o trabalhador usou o adiantamento do 13º salário e a adesão ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para regularizar sua situação.
Pesquisa da Abracheque mostrou que a queda da inadimplência com cheques em 2003 foi de 42% em relação a 2002. Os dados da Serasa também mostram desaceleração no ritmo de cheques devolvidos. Em novembro, para cada mil cheques compensados, 15,4 eram devolvidos, um recuo de 3,1% em relação a outubro, quando a média era de 15,9 cheques para mil.
''É bom lembrar que para a maioria das pessoas, o único patrimônio que se tem é o nome e por isso elas tentam cada vez mais regularizar as suas situações. Além disso, o lojista também tem interesse em limpar o nome do cliente. Só assim ele voltará a consumir'', afirma o presidente da Abracheque, Carlos Pastor.
O levantamento da Serasa, que considera não apenas cheques, mas também outros meios de pagamento, como cartões de crédito e boletos bancários, mostrou ainda que mais pessoas regularizam a sua situação com o crédito no ano de 2003. ''Essa atitude do consumidor foi coerente com a baixa atividade econômica, com o alto desemprego e com a queda da renda, que caracterizou o reduzido consumo nas datas festivas do comércio e favoreceu o registro de recorde de pessoas que conseguiram regularizar suas pendências'', disse Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.
Entre janeiro e novembro deste ano, 73% dos pendências com crédito foram resolvidas. Isso significa que de cada 100 novos inadimplentes, 73 regularizaram a situação. Em 2002, esse percentual havia sido de 50% e em anos anteriores oscilou entre 30% e 40%. O pico de baixas em 2003 ocorreu em agosto, quando 94,8% dos inadimplentes regularizaram suas pendências.
Segundo o levantamento da Serasa, de janeiro a novembro, 22,5 milhões de pessoas entraram na base de dados. Nesse período, 16,5 milhões retiraram o nome da lista de inadimplentes. Almeida diz que em 2003 houve uma desaceleração no ritmo de expansão da inadimplência. ''O consumidor priorizou o pagamento e a renegociação de suas dívidas'', disse.


