O número de desempregados com nível superior subiu 120,7% entre 1992 e 2001, de acordo com uma pesquisa divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo. Em Londrina, oportunidades de emprego para pessoas com pelo menos 15 anos de estudos são escassas, considerando-se a prerrogativa de uso dos conhecimentos técnicos adquiridos durante a faculdade. Em compensação, indústria e comércio da cidade estão preferindo contratar profissionais com formação superior mesmo para vagas que não exigem tal qualificação.
A pesquisa também revela que das 2,870 milhões de pessoas graduadas nas universidades brasileiras, entre 1992 e 2001, 2,050 milhões encontraram trabalho. Dos formados, 28,6% (820 mil) não estão trabalhando na sua área de formação e, destes, 111 mil estão desempregados.
O comportamento do mercado de contratações em Londrina serve como amostra de mudança nas condições de exigência da indústria e comércio. Na ADM Administração de Recursos Humanos, agência de empregos de Londrina, por exemplo, o desejável é que 100% dos candidatos tenham formação universitária ou, no mínimo, técnica. ''Empregos nas áreas de atendimento e administração, apesar de não usarem o conhecimento técnico dos profissionais, exigem 3º grau'', explica a psicóloga Andréa Machado, da ADM. Segundo ela, a preferência se dá por causa da suposta facilidade dos universitários para aprender e se relacionar.
Andréa acredita que tal exigência deve-se, em grande parte, ao declínio da educação no País. ''Há muito tempo tínhamos um segundo grau de qualidade no Brasil. Hoje, em compensação, é muito fácil até mesmo entrar numa universidade.'' E, na falta de profisionais com experiência, Andréa conta que a compensação buscada pelos empregadores é a qualificação técnica.
Vagas de emprego que exigem, de fato, nível superior de formação são raramente oferecidas em Londrina. Na Capital Humano, outra agência de empregos, o índice de oferta é de três a cinco vagas por mês. Jenifer Ligmanovski, psicóloga da agência, acredita que a baixa oferta se explica pelo número pequeno de empresas de grande porte na cidade. ''Geralmente são as grandes empresas e multinacionais as que precisam desse tipo de profissional.'' A preferência por estagiários, segundo Jenifer, também é forte em Londrina. O barateamento da mão-de-obra e as baixas possibilidades de efetivação são os fatores que determinam a preferência.
Na Capital Humano, aproximadamente 60% dos candidatos cadastrados têm curso superior. E como conta Jenifer, nenhum deles abre mão de um emprego que, teoricamente, não exigiria formação acadêmica. ''Muitos brincam dizendo que preferem ganhar pouco do que ganhar nada''.
O atendente de call center Fernando Pinheiro é exemplo de profissional que apelou para um emprego fora de sua área de atuação por origem para se manter. Formado em Ciências Aeronáuticas, Pinheiro poderia ganhar salários que variam entre R$ 50,00 e R$ 120,00 por hora, se encontrasse oportunidade como piloto. Como atendente, ganha R$ 600,00 mensais. ''Enquanto não surge nada, a necessidade me obriga a trabalhar assim''. (Com Agência Estado)

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