Desemprego dispara em março e encosta em 20%
O desemprego na Grande São Paulo em março encostou na trágica marca de 20% da população economicamente ativa (PEA), de 8,6 milhões de trabalhadores. Precisamente, o convênio Seade-Dieese apurou índice de 19,9%, o que corresponde a 1,726 milhão de pessoas sem trabalho, recorde de toda a pesquisa, que começou a ser feita em 1985.
O aumento do índice em março, na comparação com fevereiro, foi de 6,4%. Isso significa que existem hoje na região 111 mil novos desempregados. O resultado já era esperado pelos economistas dos dois institutos. Eles projetam piora do quadro em abril e possivelmente ainda em maio. A existência de tantos desocupados reflete a desaceleração da atividade econômica nos dois últimos trimestres, especialmente este ano, com a mudança da política cambial e a elevação da taxa de juros.
Mas mesmo com uma acomodação da cotação do dólar e redução dos juros a partir de agora, os efeitos benéficos sobre a ocupação demorarão um pouco mais a se refletir, segundo o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. Há três meses o desemprego está crescendo, puxado pelo expressivo fechamento de postos de trabalho na indústria e no comércio. No setor de serviços há quase uma estabilidade. Em março, a situação foi agravada também pelo aumento da PEA - mais gente procurou emprego, como é comum no período logo após o carnaval.
O tempo médio que o desempregado passa procurando uma nova ocupação já passa de nove meses, segundo a pesquisa de março do convênio Seade-Dieese. Agora somam 39 semanas, outro recorde, ante 37 no mês anterior. As oportunidades estão escassas em todos os setores, mas especialmente na indústria, que num único mês fechou 22 mil postos de trabalho, e no comércio, que eliminou outros 61 mil postos. O setor de serviços criou apenas 3 mil postos, quantidade insuficiente para compensar os prejuízos no mercado de trabalho como um todo.
A recessão pode ser sentida na redução da ocupação nos ramos das indústrias mecânicas e metalúrgicas (queda de 1,6% no nível de emprego), e principalmente na indústria de alimentação (redução de nada menos que 8,8%). A nova política cambial trouxe pelo menos uma boa notícia: aumento de 5,9% do contingente de ocupados nas indústrias têxtil e de vestuário. Trata-se do fenômeno de substituição de importações, segundo o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.Arquivo FolhaMeses difíceisEspecialistas projetam agravamento do desemprego em abril e maioAgência Estado





