A taxa de desemprego em janeiro no País foi a 9ª maior da história e a segunda mais alta em um mês de janeiro desde o início da série pesquisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desemprego aberto ficou em 7,25%, muito superior aos 4,84% registrados em dezembro, e representa acréscimo de 439 mil pessoas à procura de trabalho.
Se o resultado é ruim, as previsões para os próximos meses são ainda piores. ‘‘A tendência para o primeiro trimestre do ano é de aumento na taxa de desemprego’’, disse a gerente de análise do departamento de Pesquisas do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza. ‘‘É um fator sazonal.’ Mesmo assim, em janeiro do ano passado o desemprego estava em 5,14%.
A taxa de desemprego aberto cresceu em todas as regiões metropolitanas, com exceção de Salvador. A cidade de São Paulo apresentou a maior taxa entre as seis regiões pesquisadas (8,51%) e a maior taxa da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, iniciada em maio de 1982 pelo IBGE. Como São Paulo representa 43% da população economicamente ativa (PEA), de 17,494 milhões de pessoas nas seis regiões, o alto nível de desemprego na cidade teve a maior influência sobre o global.
Esses dados explicam, em parte, o forte aumento na inadimplência em fevereiro. Além disso, os rendimentos reais tiveram um crescimento menor em 1997 do que em 1996. Segundo o IBGE, a variação no ano passado foi de 2% em relação ao ano anterior para o conjunto das seis regiões pesquisadas, bem abaixo do aumento de 7% de 1996 em relação a 1995. Dentre as categorias de ocupação, as oscilações não foram muito diferentes e situaram-se abaixo das observadas no ano anterior.
O desemprego na indústria de transformação paulista em janeiro (10,08%) foi o maior da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. O mesmo ocorreu com o desemprego no comércio de São Paulo (9,08%). No setor de serviços, a taxa de 6,32% foi a segunda maior da série, que perdeu apenas para os 9,08% obtidos em maio de 1984.
Nas seis regiões a taxa de desemprego foi de 8,82% na indústria de transformação; construção, 7,92%; comércio, 7,46%; e serviços, 5,61%. Por região, os resultados são: Recife, desemprego de 8,12% em janeiro; Salvador, 8,59%; Belo Horizonte, 7,38%; Rio, 4,96%; São Paulo, 8,51%; e Porto Alegre, 5,88%.
Procura O aumento do desemprego no primeiro mês do ano foi provocado por uma combinação de dois fatores, segundo Shyrlene Ramos de Souza. ‘‘Houve aumento no número de pessoas que não trabalhavam e agora procurando trabalho, e aumento do desemprego propriamente dito’’.
A metodologia do IBGE, que pesquisa 40 mil domicílios diariamente, inclui, além das pessoas que perderam o emprego, aquelas que estão à procura de trabalho. Segundo a pesquisadora, mais estudantes, donas-de-casa e aposentados saíram a campo em janeiro com a carteira de trabalho nas mãos. ‘‘Muitas donas-de-casa precisaram de um emprego em janeiro porque seus maridos foram demitidos.’
Por essa razão, em janeiro na comparação com dezembro, houve um aumento de 1,4% no número de pessoas economicamente ativas, puxado pelo aumento de 52,8% apurado para o número de pessoas desocupadas ou procurando trabalho.

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