Desemprego deve chegar a 9,5% na AL
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sábado, 02 de janeiro de 1999
Agência Folha 
A retração econômica mundial prevista para 99 vai provocar aumento do desemprego na América Latina, segundo relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Após a crise asiática, recessão no Japão e quebra da Rússia, a entidade trabalha com a expectativa de crescimento econômico de no máximo 1% para a região em 99 em comparação com 2,6% em 98.
A taxa de desemprego média ponderada de sete países da América Latina, de 7,2% da PEA (População Economicamente Ativa) em 97, pode chegar a 8,4% em 98 e a 9,5% em 99.
A OIT não calcula o número total de desempregados. A projeção considerou o mercado na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai. O caso mais grave é o da Colômbia, cuja taxa média de desemprego deve chegar a quase 16%.
O Brasil, que enfrentará em 99 uma retração econômica de até 2% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país), poderá ter uma taxa média de desemprego de 9%, segundo a OIT. Esse quadro deve aumentar o nível de informalidade do mercado de trabalho latino-americano, assim como aconteceu neste ano.
É praticamente consenso entre analistas e economistas brasileiros que a taxa de desemprego em 99 deverá crescer de forma significativa. A que nível o desemprego deverá ir, entretanto, já não é tão fácil prever. As taxas de desemprego já foram recordes em 98.
A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo, conforme a metodologia do Dieese e da Fundação Seade, estava em 17,7% da PEA (População Economicamente Ativa) em novembro.
De acordo com Márcio Pochmann, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a taxa pode chegar perto de 25% da PEA nos primeiros meses do ano. A recessão vai se combinar com o ajuste no setor público, o que nunca aconteceu antes.
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas do país em novembro era de 7,04% da PEA. A maioria dos analistas que usam essa metodologia prevêem que a taxa possa crescer para um patamar entre 9% e 11% da PEA.


