Desemprego de 10,9% é o menor desde dezembro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Vânia Cristino<br>Agência Estado 
Brasília Queda na taxa de desemprego, recuperação do rendimento real dos trabalhadores e aumento do emprego formal marcaram o mercado de trabalho em setembro, mês que apresentou os melhores resultados do ano.
O setor formal da economia já criou este ano 1.666.188 novos empregos com carteira assinada, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, divulgados ontem. Só em setembro houve um acréscimo de 199.742 trabalhadores com carteira assinada ao mercado. É o melhor resultado para o mês e para o acumulado do ano em toda a série histórica do Caged, comemorou o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini. Com isso, ele anunciou nova estimativa de geração de emprego para o ano. ''A meta foi reavaliada e devemos fechar 2004 com mais de 1,8 milhão de novos empregos'', disse. A previsão anterior, de junho deste ano, era de 1,3 milhão.
Nem mesmo a elevação da taxa de juros, promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) esta semana, tirou o otimismo do ministro. Berzoini reafirmou que espera que a taxa de desemprego, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caia para um dígito em dezembro. ''Para isso temos que conseguir reduzir apenas 1% nos últimos três meses, justamente os que são mais favoráveis ao emprego'', observou. A taxa de desemprego do IBGE apurada para setembro foi de 10,9%.
Para Berzoini, o aumento da 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros da economia não afetará o mercado de trabalho este ano. ''O mercado de trabalho também tem uma inércia'', explicou. De acordo com o ministro, o reflexo da alta de juros no mercado de trabalho só se dará no ano que vem, caso não ocorra uma reversão do preço do petróleo no mercado internacional.
Dados do IBGE - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que a taxa apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País recuou para 10,9%, o melhor resultado desde dezembro de 2003 (também 10,9%) e o segundo melhor índice da série histórica iniciada em março de 2002.
A taxa em setembro foi inferior à registrada em agosto (11,4%) e bem menor do que a de setembro do ano passado (12,9%). Houve avanços também nos ganhos dos ocupados. O rendimento médio subiu 1,7% ante agosto e 3,2% na comparação com setembro de 2003. O gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo Pereira, avalia que os dados ''mostram que o mercado de trabalho está apresentando resultados bastante favoráveis''. Ele disse que a taxa poderá ficar abaixo de 10% até o final deste ano, caso seja mantida essa tendência.
Em setembro, foram criadas 665 mil vagas em relação a igual mês de 2003, com aumento de 3,6% no número de ocupados. Por outro lado, houve queda de 413 mil pessoas desocupadas (sem trabalho e procurando emprego) no período (redução de 14,8%).


