Desemprego cresceu 11,95% no PR em 5 anos, revela Dieese
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quarta-feira, 15 de maio de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba O Paraná criou mais desempregos do que empregos entre 1995 e 2000. Essa foi a conclusão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) ao avaliar os dados do Censo 2000 divulgados no último dia 8 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados do censo indicaram que o desemprego no Estado atingiu uma taxa de 11,95%, totalizando 547.636 desempregados.
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, a análise contradiz a propaganda do governo que afirma que foram gerados 700 mil empregos no Estado. O resultado do Censo, no entanto, não surpreendeu quem trabalha com números, pois os levantamentos feitos pela Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) já apontavam um crescimento de 70% nos números do desemprego.
A PNAD registrou que o número de desempregados no Paraná saltou de 265 mil, em 1995, para 450 mil, em 1999. Por outro lado, a pesquisa apontou que, no mesmo período, o número de pessoas ocupadas aumentou em apenas 1,6%, isto é, mais 72 mil paranaenses entraram no mercado de trabalho.
O aumento do desemprego nos anos 90, avalia Cordeiro, é resultado do baixo crescimento da economia, uma vez que a variação média do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 2,2% ao ano. A reestruturação produtiva nas empresas com aumento da produtividade mas sem redução da jornada de trabalho e sem aumento salarial, a abertura da economia, a política cambial e as elevadas taxas de juro também são apontadas como causas do baixo dinamismo do mercado de trabalho.
Do total de paranaenses ocupados, o Censo 2000 revelou que 19% deles estão no setor agropecuário, 18% no comércio, 16% na indústria, 7% nos serviços domésticos, 7% em instituições financeiras e serviços gerais e 6% na construção civil. Para Cordeiro, os dados mostram que o desenvolvimento do setor industrial não é representativo, já que o Paraná perde Santa Catarina e Rio Grande do Sul, cujas indústrias empregam 25% e 18% do total de ocupados.
Outro dado apontado pelo Censo 2000 é que a concentração de renda no Paraná, assim como no resto do País, continua sendo um dos entraves do crescimento econômico. O levantamento constatou que 58% dos paranaenses ganham até três salários mínimos (R$ 453,00 em valores de 2000), e apenas 2,49% ganham acima de 20 salários mínimos (R$ 3.020,00).
Apesar de ganhar pouco os paranaenses são os que mais trabalham. Cerca de 1,8 milhão 45% do total de ocupados trabalham mais que 45 horas semanais (pela Constituição a jornada não pode ultrapassar 44 horas). Comparado a outros estados, o Paraná só perde para Minas Gerais, onde cerca de 47% dos ocupados trabalham mais de 45 horas por semana.


