Desemprego contraria expectativa e sobe
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A taxa de desemprego do País voltou a subir em agosto e atingiu 13%, contrariando a tendência de queda na desocupação no segundo semestre. Após uma pequena redução da taxa para 12,8% em julho, o desemprego voltou no mês seguinte ao recorde histórico de junho (13%).
A renda dos trabalhadores permaneceu em queda na comparação com igual mês do ano passado (-13,8%), mas apresentou o maior aumento (1,5%) em relação ao mês anterior desde junho de 2002 (1,7%).
O rendimento médio real foi de R$ 847,90 em agosto. O aumento de 1,5% registrado em relação a julho é atribuído especialmente à queda na taxa de inflação, que já começa a influenciar uma esperada trajetória de recuperação da renda. Em julho, o rendimento em relação a igual mês do ano anterior havia registrado queda de 16,4%.
O gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo Pereira, disse que ainda não dá pra saber se aquele mês foi o ''fundo do poço'' para os ganhos dos trabalhadores. Ele reconhece, contudo, que não está se confirmando a melhoria nas taxas de desemprego prevista para a segunda metade do ano.
''Embora a ocupação tenha aumentado em agosto, ainda não houve a recuperação esperada do mercado de trabalho no segundo semestre'', disse Pereira. O levantamento refere-se às seis principais regiões metropolitanas do País.
O número de ocupados cresceu 3,5% em agosto, com acréscimo de 625 mil pessoas em relação ao ano passado, mas a expansão não foi suficiente para absorver o exército de pessoas à procura de emprego. O grupo dos desocupados (não trabalhando e procurando trabalho) cresceu 16,8% no período, somando mais 399 mil pessoas. Ou seja, ao lado dos mais de 600 mil que conseguiram trabalho, outros quase 400 mil permaneceram em busca de emprego.
''A economia está gerando emprego, mas não o suficiente para a entrada de novos trabalhadores'', admite o analista da Tendências Consultoria, José Márcio Camargo. Ele esperava uma queda da taxa de desemprego em agosto, já que sazonalmente o mês registra recuos no índice, mas avalia que a alta pode ter ocorrido devido a dois motivos: ou a nova metodologia da pesquisa do IBGE (divulgada a partir de outubro do ano passado) está provocando ''ruídos'' de informação, ''como toda pesquisa nova'', ou realmente há mais procura por emprego do que postos de trabalho sendo gerados.
Esse aumento da busca por uma vaga no mercado de trabalho, segundo Camargo, pode estar sendo provocado, inclusive, pelas quedas consecutivas na renda dos trabalhadores. ''As pessoas estão buscando mais trabalho ou porque a renda está menor para a família ou porque percebem uma melhoria na economia e voltam a procurar emprego'', avalia.


