Desemprego cai para 7,94% em abril
Desemprego cai para 7,94% em abril
Apesar da pequena melhora em relação a março - quando ficou em 8,18% - taxa no mês é a pior em 16 anos de pesquisa do IBGE
Agência Estado
Embora a taxa de desemprego aberto de abril, de 7,94%, tenha caído em relação a março (8,18%), o quadro no mercado de trabalho continua extremamente desfavorável, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): este foi o pior mês de abril da série histórica do IBGE, iniciada em 1982 - o segundo pior resultado foi em 1984, com 7,71%. O índice também contribuiu para que o primeiro quadrimestre do ano, com taxa média de desemprego de 7,69%, seja igualmente o pior já registrado. No ano passado, a taxa do primeiro quadrimestre havia ficado em 5,6%, e em abril de 97, em 5,7%.
A analista do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, acredita que no segundo semestre o desemprego deverá cair, mas assinala que é quase imposssível que em dezembro de 98 ele se mostre igual ou menor que o de dezembro de 97, quando a taxa foi de 4,84%. Ela admitiu que no segundo semestre o mercado de trabalho tende a melhorar, mas ressalvou que os resultados apurados até abril não vão permitir que se chegue a dezembro com uma taxa semelhante à apurada no mesmo mês do ano passado.
Segundo a analista, normalmente de março para abril a taxa de desemprego não se altera expressivamente. A verificada este ano quebrou a tendência ascendente na redução do emprego, que vinha desde janeiro. Observe-se, porém, que em todos os meses de abril a taxa tem sido geralmente mais baixa do que em março. Uma das razões é que, com a volta às aulas, muitas mães desistem de trabalhar, deixando de integrar a parcela da população à procura de emprego, e decidem ficar em casa, diz Ramos.
Também quem está estudando muitas vezes desiste de tentar trabalhar ao longo de março, e em abril, nem trabalha e nem procura emprego. Portanto, não é mais captado nas pesquisas como desempregado. Pode estar ainda havendo desânimo por parte das pessoas, diante da má situação do mercado. De qualquer forma, nos últimos cinco anos a taxa caiu em todas as passagens de março para abril.
Conforme os dados apurados pelo IBGE, que faz a pesquisa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador), o número de pessoas procurando trabalho diminuiu em 3%. Ou seja, cerca de 7 mil pessoas deixararm de buscar emprego. O número de pessoas não economicamente ativas aumentou em 71 mil e o número de pessoas ocupadas, que totalizou 16.304 mil em abril, cresceu em cerca de 40 mil pessoas em relação a março, isto é, em 0,24%.
Por setores, o desemprego foi mais alto na indústria de transformação, que registrou taxa de 9,44%, ligeiramente menos que em março (9,67%), mas acima da de abril de 97 (6,95%). Na construção civil a taxa se situou em 9,27 (mesmo resultado de março), em confronto com os 5,73% de abril do ano passado. No comércio, a taxa caiu de 9,08% em março para 6,26% em abril - uma redução importante, porém, não o suficiente para chegar ao nível de igual mês do ano precedente, que foi de 4,63%.
A técnica do IBGE também calculou a crescente informalidade do mercado de trabalho no Brasil. Assim, em 1990, 82% das pessoas que trabalhavam na indústria de transformação tinham carteira assinada, 10% não tinham carteira e 3,5% atuavam por conta própria. No primeiro quadrimestre de 98, em média, somente 69% dos empregados da indústria de transformação tinham carteira; 17% já não contavam com essa proteção e 8,5% estavam trabalhando por conta própria.
Na construção civil, em 90, 39% tinham carteira, 20% não tinham e 36% eram trabalhadores por conta própria, percentuais que em 98 passaram a ser de, respectivamente, 26%, 24% e 46%. No caso da construção, segundo a analista, a explicação para tanta informalidade é simples: para um pintor de paredes, por exemplo, geralmente é mais rentável trabalhar sozinho do que trabalhar em uma empresa formal.
Já no comércio, em 90, a metade do contingente dispunha de carteira assinada, 13% não dispunham e 26% trabalhavam por conta própria. Em 98, os com carteira desceram para 43%, os sem carteira aumentaram para 16% e os que trabalhavam por conta própria chegaram a 30%.
No setor de serviços, em 90, os com carteira eram 53%; os sem carteira, 20% e os por conta própria, 21%. Em 98, os empregados com carteira tinham se reduzido a 46% do total do setor; os sem carteira eram 26% e os trabalhadores por conta própria, 23%.





