O índice de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas chegou a 7,8% em abril, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é menor do que a de 8,1% de março, que já havia sido 0,1 ponto porcentual inferior à de fevereiro.
Mas, para os técnicos do IBGE, mais importante do que a redução contínua do número de pessoas procurando trabalho, medida por este índice, é o aumento de 1,4% da quantidade de trabalhadores ocupados, de março para abril.
‘‘Estatisticamente, a redução no emprego não é importante’’, afirmou a consultora do IBGE Shyrlene Ramos de Souza, responsável pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do instituto. ‘‘Mas o aumento das contratações mostra a recuperação do mercado de trabalho’’, afirmou.
O crescimento do número de contratações de março para abril foi o sétimo consecutivo e significou inserção de 227 mil pessoas no mercado. Na comparação com abril do ano passado, o aumento foi de 5,4%, ou mais 864 mil pessoas ocupadas.
Ao mesmo tempo em que as contratações aumentaram, a renda médial real das pessoas ocupadas continuou em declínio em março, informou o IBGE. A queda na comparação com março de 1999 foi de 2,7%. A perda média acumulada neste ano já chegou a 3,8%. A redução dos rendimentos é registrada continuamente desde dezembro de 1998, e, durante o ano passado, ficou em 6%.
Na comparação com fevereiro, o rendimento médio real dos trabalhadores empregados caiu 0,7%. Enquanto o ganho dos empregados sem carteira de trabalho assinada diminuiu 2,4% e dos sem carteira assinada, 1,5%, a renda dos trabalhadores por conta própria ficou constante.
Estes números mostram que a principal preocupação dos trabalhadores, atualmente, é conseguir uma vaga no mercado, segundo Shyrlene. ‘‘Com o desemprego alto, as pessoas cuidam de manter sua colocação’’, analisou. Na comparação com março de 1999, a perda do rendimento médio real foi de 2,7%.
A taxa média de desemprego nos primeiros quatro meses do ano foi de 7,9%, índice igual ao do mesmo período em 1999. Shyrlene afirmou que é justamente o reaquecimento do mercado que vai impedir variações importantes na taxa de desemprego, nos próximos meses. Ela explicou que, animadas com a perspectiva de novas vagas, muitas pessoas que haviam deixado de procurar emprego vão voltar a buscar trabalho, e passarão a pressionar o índice.
Os números do IBGE indicam que a criação de novas vagas está ocorrendo principalmente na economia informal. De março para abril, aumentou em 2,9% o número de empregadores e 2,6% o de trabalhadores por conta própria. Na comparação com abril de 1999, o número de empregados sem carteira de trabalho aumentou 12,4%, e o dos trabalhadores por conta própria, 5,6%.

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