Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do País caiu para 7,4% em setembro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é 0,3 ponto percentual inferior ao registrado em agosto deste ano e setembro do ano passado, e 0,8 ponto percentual menor da taxa de março, a maior deste ano.
A estimativa do IBGE é que das 31,210 milhões de pessoas com capacidade para trabalhar em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre, 14,692 milhões procuravam emprego no mês passado. De agosto para setembro, abriram-se 172 mil novas vagas no mercado de trabalho – das quais a maioria, 129.590, em São Paulo.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE também apontou queda de 6,4% no rendimento médio real dos trabalhadores ocupados em agosto, na comparação com o mesmo mês em 1998. A consultora econômica do instituto, Shyrlene Ramos de Souza, informou que este tipo de confronto apontou que o rendimento médio real vem caindo sucessivamente desde dezembro. ‘‘O rendimento deste ano deve ser menor do que o de 1998 porque o desemprego continua alto’’, avaliou.
Apesar da ligeira queda apontada pela última pesquisa, Shyrlene estimou que a taxa de desemprego deste ano deve ser similar à de 1998, que ficou em 7,6%. O índice médio acumulado desde o início do ano até o mês passado é de 7,7%. No mesmo período, no ano passado, o índice ficou em 7,8%. O ano de 1998 registrou os maiores índices de desocupação mensais, desde 1984.
O aumento de pessoas trabalhando, de 1,1% de setembro para outubro, reflete a aceleração da economia com o maior consumo previsto no fim do ano, explicou Shyrlene. As contratações cresceram em 2,4% na construção civil, 1,5% na indústria de transformação, 1,1% no setor de serviços e 0,5% no comércio.
A taxa de desemprego pode cair para 6% a 6,5%, na opinião de Salomão Quadros, economista da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ). Quadros lembrou que, tradicionalmente, o índice cai, em média, um ponto percentual, entre setembro e dezembro, pelo incremento das vendas de Natal.
‘‘O desaquecimento acentua estes fatores sazonais’’, acrescentou Quadros. ‘‘Entre 1993 e 1995, quando a economia estava mais aquecida, a diferença ficou abaixo de um ponto percentual’’, lembrou. Em 1997, quando o Brasil foi afetado pela crise asiática, a diferença começou a superar a média. Em 1998, por causa da crise na Rússia, o aumento foi de 1,3 ponto percentual.

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