Desemprego cai para 12,2% em maio
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quinta-feira, 24 de junho de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O mercado de trabalho reagiu em maio, com queda na taxa de desemprego para 12,2%, ante o recorde de 13,1% em abril. A taxa foi inferior também à de maio do ano passado (12,8%), marcando o primeiro recuo ante igual mês de ano anterior apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde abril de 2003.
A recuperação puxada pela região metropolitana de São Paulo, por sua vez impulsionada pelas contratações em empresas de saúde, administração pública, educação e serviços em geral. A indústria, principal setor da economia paulista, teve contribuição tímida na criação de empregos.
O gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo Pereira, disse que ainda não é possível afirmar se há uma mudança de tendência. ''O mais interessante nesse resultado é que pode ser um soluço ou uma recuperação do mercado, mas vamos ter de esperar o mês que vem para ver o resultado'', afirmou. O desemprego caiu também porque o número de desocupados (não trabalhando e procurando emprego) recuou em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Em contrapartida, o rendimento médio real nas seis regiões permaneceu em queda (-0,7% ante abril e -3,3% ante maio de 2003), mas o ritmo de redução, que havia chegado a -6,2% em janeiro, ante igual mês de 2003, está menor. Em julho do ano passado, a queda era de 16,4%, na comparação com igual mês do ano anterior.
O técnico do IBGE lembrou que, historicamente, a taxa de desemprego começa a recuar em junho ou julho, mas este ano houve uma antecipação. Segundo ele, é possível que o fenômeno, já registrado em 2002, tenha relação com o ano eleitoral. Luiz Eduardo Parreiras, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que, nestes anos, o setor público só pode contratar até três meses antes das eleições. ''A grande concentração de contratação no setor público neste período é reflexo destas regras em ano eleitoral'', comentou.
A reação do mercado de trabalho em maio resultou no aumento do número de ocupados tanto em relação a abril (0,8%) quanto ante maio (2,9%) e queda dos desocupados também na comparação com abril (-6,7%) e maio (-2,9%).
Para o economista da Tendências Consultoria, Juan Jensen, o desemprego vai cair nos próximos meses, mas principalmente por motivos sazonais. Historicamente, a taxa encolhe do meio para o fim do ano. Ainda assim, ele acredita que a taxa deve chegar a 10% em dezembro, pouco abaixo do mesmo mês no ano passado (10,9%). Já a GlobalInvest avalia como ''supreendente'' a taxa em maio, mas mantém a projeção de recuperação consistente só a partir de 2005.


