Desemprego cai mas é recorde no mês
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O desemprego em novembro atingiu 7,3% dos 18 milhões de pessoas que compõem a População Economicamente Ativa (PEA) das seis maiores regiões metropolitanas do País, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa de desemprego já registrada em um mês de novembro, desde 1983 mas também foi a menor taxa deste ano, e significou um recuo de 0,2 ponto porcentual em relação ao índice de outubro.
A redução do índice foi possível graças ao aumento de 0,6% de pessoas com emprego, cujo contingente chegou em 16,688 milhões no mês passado, com a criação de 103 mil novas vagas. O maior número de contratações foi registrado na indústria de transformação, com 65.583 admissões. O número de pessoas procurando emprego na última semana de novembro chegou a 1,311 milhões.
Segundo a consultora do Departamento de Emprego e Rendimento (Deren) do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, a indústria contratou mais por causa do aumento das encomendas no comércio á um fenômeno que tradicionalmente ocorre um mês antes. Acredito que, por causa da cautela do comércio, só agora a contratação aumentou na indústria, avaliou.
A taxa de desemprego de dezembro deve ter redução de um ponto porcentual em relação à do mês passado, como acontece tradicionalmente por causa de novas vagas no comércio, de acordo com Shyrlene. Com isso, o índice de desemprego acumulado neste ano deve passar de 7,7%, como ficou até novembro, para 7,6% - número igual ao do ano passado.
Shyrlene alertou que a maior atividade econômica prevista para o ano que vem não vai significar a redução da taxa de desemprego do IBGE. Ela explicou que, ao mesmo tempo em que este crescimento vai absorver trabalhadores que estão em busca de vagas atualmente, quem deixou de procurar ocupação vai sentir-se incentivado a voltar ao mercado de trabalho voltando a fazer parte da PEA e, portanto, a pressionar os índices de desemprego.
O número de pessoas fora do mercado está alto, afirmou a consultora, lembrando que este contingente aumentou 5,3% em 1999. Em novembro, o número de pessoas fora da PEA era de 13,2 milhões ou 42,3% do total da população em idade ativa nas seis regiões pesquisadas pelo IBGE, de 31,2 milhões.
Os dados acumulados de janeiro a novembro do IBGE também mostram aumento na procura por novas vagas e diminuição dos empregos formais. O número de empregados com carteira assinada caiu 3%, enquanto que o contingente de trabalhadores sem carteira aumentou 3,6%. A quantidade de trabalhadores por conta própria elevou-se em 2%, e os empregadores, em 1%.
De acordo com o instituto, o porcentual de desempregados procurando colocação há 12 meses ou mais passou de 13,5% em 1998 para 15,8% neste ano. Em São Paulo, 19,4% dos desempregados estão em busca de vagas por este período de tempo, quando, no ano passado, o indicador era de 16,6%.
No Rio de Janeiro, o número passou de 11,7% para 13,4%, de um ano para o outro. O tempo médio de procura também aumentou de 22 semanas no ano passado para 23 semanas.
A comparação de 1999 com o ano passado apontou queda de 4,9% dos rendimentos dos trabalhadores, de janeiro a outubro. São Paulo foi a região com a maior redução (6,9%), seguida de Porto Alegre (5,2%) e Belo Horizonte (4,1%).
Na divisão por tipo de remuneração, os trabalhadores por conta própria foram os que mais perderam renda neste período (6,6%). Estes são os primeiros a perderem quando a situação econômica se reverte, porque estão concentrados basicamente no setor de serviços, afirmou Shyrlene.





