Como já era esperado, a taxa de desemprego aberto em setembro, de 7,65%, caiu ligeiramente em relação a agosto, quando registrou 7,80%. Mas, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar a sua Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa foi bastante superior à verificada no mesmo mês do ano passado (5,63%). Também representou o pior resultado já apurado em um mês de setembro desde que o IBGE iniciou esta pesquisa, em 1982.
A queda - praticamente uma estabilidade - no desemprego em relação a agosto não surpreendeu, já que todos os anos, a partir de setembro, o corte no número de postos de trabalho tende a diminuir naturalmente. Foi, entretanto, uma redução muito pequena, pelas dificuldades que o País está atravessando.
Mantendo a tradição, o desemprego deverá cair em outubro, novembro e dezembro, segundo a consultora econômica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza. Mas serão recuos pequenos. Ela lembrou que este mês as pesquisas começarão a refletir com maior nitidez os efeitos da crise na economia.
Assim, na expectativa dela, o alívio no desemprego nos próximos meses será menos significativo do que em anos passados. De qualquer forma, a força do aumento da atividade no final do ano, por conta das festas de Natal, conforme Shyrlene, não permite descartar a hipótese de que a taxa de desemprego específica de dezembro consiga sair da casa dos 7%, baixando para a a casa dos 6%.
Nos primeiros nove meses do ano o desemprego médio ficou em 7,81%, também o mais alto já registrado neste período pelo IBGE. No ano passado, nos primeiros nove meses, a taxa média era de 5,78%. Segundo Shyrlene, com o desemprego médio do ano já em 7,81%, dificilmente a taxa média de 1998 será inferior a 7,5%, o que significará mais um recorde negativo.
Por setor de atividade, o maior desemprego em setembro ocorreu na construção civil, com 8,72% - mesmo assim, houve um recuo ante o mês precedente, que registrou 9,47%. Para a indústria de transformação, também houve queda de um mês para o outro: em agosto, o desemprego era de 8,99%, e em setembro baixou para 8,63%, mas ficou bem acima da de setembro de 97 (6,49%). No comércio, de um mês para o outro, baixou de 8,10% para 7,78% e no setor de serviços ficou estável em 6,21%.
Segundo o IBGE, a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu 0,4% em relação ao mês anterior e houve redução de 1,6% no número de pessoas desocupadas ou procurando trabalho. Houve acréscimo de aproximadamente 93 mil pessoas trabalhando, enquanto a quantidade de pessoas à cata de emprego diminuiu em 22 mil, nas seis regiões metropolitanas abrangidas pela pesquisa (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador).
A taxa de atividade, que reflete a participação das pessoas com 15 anos de idade ou mais trabalhando ou procurando emprego, chegou a 58,77% do total da população em idade ativa. Este foi o melhor resultado do ano. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu em agosto e setembro, o que, pelo menos teoricamente, compõe um a situação ideal.
Shyrlene explica que uma taxa de atividade em alta e um desemprego em baixa é a melhor situação possível para o mercado de trabalho - só não se pode dizer isso a respeito do mercado brasileiro neste momento, porque o nível da taxa de desemprego, perto dos 8%, é excessivamente alto.
Ainda conforme o IBGE, a tendência em 98 é a de queda no número de pessoas trabalhando na indústria. De janeiro a setembro, a redução foi de 4,3% no número de postos de trabalho nas fábricas enquanto para o comércio houve um aumento de 2,5%.
Na Região Metropolitana de São Paulo, a população ocupada na indústria encolheu em 5,1%, mas o pior ocorreu no comércio, que no período teve o seu contingente diminuído em 6,5%. O setor de serviços apresentou desempenho positivo, com mais 2,3% postos de trabalho, porém, isso não foi suficiente para contrabalançar as perdas na indústria e no comércio de São Paulo.
Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, de janeiro a setembro caiu o número de empregados com carteira assinada (-1,4%) e aumentou o de sem carteira (2,8%). Por regiões, Salvador foi a região metropolitana com o maior índice de desemprego aberto (9,53%) em setembro. Em segundo lugar ficou Recife (9,39%), seguido de São Paulo, (8,68%), Porto Alegre (7,80%), Belo Horizonte (6,85%) e Rio de Janeiro (5,11%).

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