Novembro foi o mês com a menor taxa de desemprego do ano: 4,6%. O índice divulgado ontem pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também é o menor da série histórica iniciada em 2002. Em outubro, a taxa havia sido de 5,2%. Outro dado importante foi o aumento de 3% do rendimento real do trabalhador entre novembro de 2012 e novembro deste ano. O valor chegou a R$ 1.965,20, também o maior da história. Apenas os setores de serviços domésticos e indústria registraram queda no número de trabalhadores.
No entanto, apesar do desemprego ter caído, o aumento na população ocupada foi de apenas 0,1% em relação a outubro, totalizando quase 23,3 milhões de pessoas. Já o índice de pessoas desempregadas caiu 10,9% em relação ao mês anterior, chegando a 1,1 milhão. A diferença é explicada pelo aumento de pessoas na inatividade (que deixaram de procurar emprego e de ser consideradas desempregadas).
"Parte dessa população pode ser de gente que já acertou emprego para dezembro, mas ainda não estava em atividade (em novembro)", explica o gerente de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo. A pesquisa é feita em seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
O economista da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Pereima Neto, acredita que a sazonalidade explique os índices, em virtude da alta demanda do setor de comércio e serviços no período. Para ele, o aumento dos inativos parece uma questão pontual. "Pode ser que pessoas desocupadas agora estejam adiando a decisão de procurar emprego para 2014, mas a sazonalidade explica melhor os movimentos recentes do mercado de trabalho. Estamos numa situação próxima do pleno emprego, por isso, qualquer oferta maior de vagas impacta na redução do desemprego", avalia.
Pereima ressalta que a estabilidade macroeconômica do País deve continuar puxando a taxa de desemprego, caso não ocorram situações extremas, como recessão ou instabilidade externa. O professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Eduardo Nogueira, concorda que a queda no desemprego seja reflexo das contratações temporárias do comércio.
"A indústria vem desacelerando as contratações, enquanto vemos um grande número de ofertas de vagas para empregos com baixa qualificação. Talvez os inativos sejam remanescentes da indústria", argumenta.
Na opinião de Nogueira, o índice de 4,6% está próximo do considerado "aceitável" para o País, entre 3% e 3,5%, e deve ter nova queda em dezembro.

Paraná
De acordo com a PME, o desemprego, em novembro, foi de 8,2% na região metropolitana de Salvador; 6,5% em Recife; 4,7% em São Paulo; 3,9% em Belo Horizonte; 3,8% no Rio de Janeiro; e 2,6% em Porto Alegre. O Paraná não está incluído na pesquisa do IBGE, no entanto, o diretor do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado (Ipardes), Daniel Nojima, acredita que o índice de desemprego na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) esteja abaixo da média divulgada.
"Nossa última pesquisa foi no mês de outubro e mostrou desemprego de 3,3%. Como em novembro tende a cair, acredito que ficaríamos acima apenas de Porto Alegre", estima. Para o interior do Estado, Nojima supõe um índice pouco mais alto. "Levando em conta a taxa de desocupação no Paraná em 2012, que foi de 4%, acredito que o interior tenha pouco mais que isso de desemprego, mas ficando abaixo dos 4,6%". (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Desemprego cai a 4,6%, menor taxa do ano



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