Desemprego bate novo recorde em São Paulo
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Marcelo Rehder<br> Agência Estado 
São Paulo - A Região Metropolitana de São Paulo apresentou a maior criação de empregos num mês de abril desde 1985, o que não foi suficiente para impedir que a taxa de desemprego também fosse recorde, chegando a 20,7% da População Economicamente Ativa (PEA). Pesquisa do convênio entre a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indica que foram abertos 124 mil postos de trabalho em abril, depois de três meses seguidos de decréscimo. No entanto, mais 168 mil pessoas passaram a procurar emprego e disputar o mercado de trabalho. Com isso, o total de desempregados chegou a 2,044 milhões, 44 mil a mais do que em março, um recorde também em número absoluto.
A pesquisa revelou também que o rendimento real médio dos ocupados caiu pelo terceiro mês seguido. Em março (pagamento em abril), passou a R$ 943, valor 1,5% inferior ao do mês anterior. Mas houve aumento de 4%, na comparação com março de 2003.
Em abril, normalmente cresce o número de pessoas procurando emprego, pois a oferta de trabalho costuma subir depois do carnaval. Este ano foi atípico. Para a gerente de análise da Fundação Seade, Paula Montagner, a perspectiva de criação de empregos com a recuperação da economia animou mais gente a buscar ocupação, principalmente jovens e mulheres que nunca trabalharam. Esse movimento pressionou a taxa de desemprego, que oscilou de 20,6% para 26,7% da PEA.
Outra novidade da pesquisa é que as empresas começam a substituir as horas extras pela contratação de novos funcionários. A jornada média semanal de trabalho dos assalariados caiu de 44 horas, em abril, para 43 horas, em março. E a proporção dos que trabalharam mais do que 44 horas semanais caiu de 46,3% para 40,1%, o que indica menor número de horas extras. Essa redução ocorreu em todos os setores de atividade: indústria (de 42,1% para 38,8%), comércio (67% para 59,4%) e serviços (42,4% para 35,2%).
Para o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, esses dados podem estar sinalizando uma retomada do emprego.''As empresas só contratam quando têm alguma garantia de que os negócios vão continuar aquecidos e que manterão os empregados por um bom período'', diz Clemente. ''Antes de contratar, elas recorrem à hora extra e ao banco de horas, já que o custo da demissão é alto.''
Na avaliação dos responsáveis pela pesquisa, a tendência é de que a taxa de desemprego fique relativamente estável com queda nos próximos dois meses. O diretor do Dieese acredita que, se o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 3,5%, como espera o governo, a taxa de desemprego deverá cair pelo menos 2 pontos porcentuais, terminando o ano entre 18% e 19%. Em dezembro de 2004, a taxa ficou em 19,1%.


