As previsões de melhoria do mercado de trabalho na Grande São Paulo caíram por terra ontem, com a divulgação da pesquisa do convênio Dieese-Seade. O desemprego voltou a crescer em junho, num movimento completamente atípico para o mês em que tradicionalmente a atividade econômica tem uma reação. Economistas dos dois institutos esperavam um discreto recuo na taxa. Constataram, em vez disso, um pequeno avanço: de 18,9% em maio para 19% em junho, para uma População Economicamente Ativa (PEA) de 8,7 milhões de trabalhadores. O número de desempregados agora é de 1,662 milhão, 8 mil a mais do que no mês anterior.
O inesperado recorde de junho não foi a única má notícia que a pesquisa trouxe. Em toda a série de informações apurada pelo convênio, desde 1985, nunca o tempo de procura por um novo emprego foi tão prolongado. Segundo o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, as entrevistas mostraram que, no mês passado, a média de tempo gasto na busca por uma nova colocação foi de 34 semanas, nove a mais do que no mesmo período do ano passado.
O diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, considerou particularmente negativo um outro indicador: a eliminação de 11 mil empregos em apenas 30 dias. Nos meses anteriores, a taxa de desemprego resultava muito alta por conta, entre outras coisas, do aumento significativo da PEA. Mas havia, em geral, saldo positivo de postos de trabalho.
O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, vinha insistindo na tese de que o País tinha voltado a criar oportunidades, e o desemprego alto decorria do aumento do número de pessoas procurando empregos. Em junho, essa lógica não funcionou.
Comércio e serviços criaram juntos 46 mil postos. Contudo, construção civil e outros setores fecharam 37 mil. A indústria eliminou nada menos que 16 mil empregos.

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