Desemprego aumenta e rendimento dos trabalhadores cai no País
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O ano começou com resultados negativos para o mercado de trabalho: a taxa de desemprego subiu para 11,7% em janeiro e o rendimento dos trabalhadores continuou em queda, na comparação com igual mês do ano anterior. Segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e relativos às seis principais regiões metropolitanas do País, a realidade do emprego não apresentou no primeiro mês do ano nenhuma recuperação significativa em relação a novembro do ano passado, após a reação sazonal registrada em dezembro, quando a taxa havia caído para 10,9%.
O gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo Pereira, disse que o aumento do desemprego nos primeiros meses do ano, em relação aos últimos meses de 2003, segue um comportamento ''típico e histórico'' na pesquisa. ''A tendência do desemprego é aumentar nos primeiros meses do ano porque os trabalhadores temporários admitidos pelas empresas no final do ano anterior são dispensados. A taxa poderá ser até mais alta em fevereiro porque a dispensa dos temporários prossegue'', disse.
Apesar da saída de parte dos empregados temporários do mercado, a informalidade continuou em alta em janeiro: apenas 39,7% dos 18,5 milhões de ocupados nas seis regiões tinham carteira assinada, porcentual inferior ao mesmo mês do ano passado (40,52%). ''Está ocorrendo uma expansão do emprego informal e uma redução na participação do trabalhador com carteira no total de ocupados'', disse.
Houve crescimento significativo no número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego), tanto na comparação com dezembro (6,1%) quanto no confronto com janeiro de 2003 (6,5%). Os aumentos mostram que o número de vagas criadas não é suficiente para absorver a demanda por trabalho. O número de ocupados cresceu 1,4% em janeiro, ante igual mês do ano passado, mas caiu 2,1% ante dezembro.
Segundo Pereira, do total de ocupados que saíram do mercado de trabalho de dezembro para janeiro, 42% eram trabalhadores temporários, contratados pelas empresas para as festas de final de ano. O fenômeno, típico desse período do ano, teve influência também sobre a renda.
A renda média real dos trabalhadores caiu 6,2% em janeiro, ante igual mês de 2003, mas cresceu 1,9% ante dezembro. Segundo Pereira, os dados do rendimento em janeiro foram positivamente influenciados pela desaceleração da taxa de inflação acumulada em 12 meses. O deflator da renda média calculada é o INPC acumulado em 12 meses, que passou de 10,3% em dezembro para 8,3% em janeiro.
Esse foi, segundo Pereira, um dos principais fatores para o aumento no rendimento médio real em janeiro, na comparação com dezembro. Outro fator apontado para o aumento nessa base de comparação é a dispensa dos temporários já que esse grupo de empregados tem salários menores e, portanto, puxa para baixo a média do rendimento.
A redução de 6,2% na renda ante janeiro de 2003, embora elevada, também foi beneficiada pela queda na inflação acumulada. O argumento de Pereira é que que, desde maio, as quedas na renda, nessa base de comparação, eram bem mais intensas, sempre acima de 12%. ''Apesar disso, a renda continua em queda porque havia uma situação crítica anteriormente e a redução na inflação não foi suficiente para recuperar o rendimento do trabalhador'', disse.


